O presente artigo situa-se no campo da Análise Materialista do Discurso e busca compreender os sentidos de “hospício” no alienismo brasileiro do fim do século XIX e início do XX, por meio de um corpus que reúne textos do alienista Juliano Moreira e do escritor Lima Barreto. O trabalho tem um duplo propósito: por um lado, examinar historicamente a constituição desses sentidos; por outro, refletir, por uma via epistemológica, sobre o gesto metodológico da formalização na pesquisa discursiva. A investigação se desenvolve a partir de dois procedimentos principais: (1) a paráfrase, que se entende aqui não como equivalência literal, mas, seguindo sobretudo as reflexões de Fuchs (2012), como um gesto de leitura que evidencia os deslocamentos e tensões de sentido, e (2) a formalização, realizada mediante gráficos discursivos que buscam tornar visíveis relações de sinonímia, implicação e contradição. Defende-se, nesse ponto, que a formalização não deve reduzir-se a uma operação técnica desprovida da reflexão epistemológica que a sustenta, mas assume-se que tal expediente, nesse nível da prática analítica, possui efeito metodológico heurístico para auxiliar o analista no processo de desfazer a naturalidade dos sentidos e demonstrar como eles funcionam na articulação entre língua, ideologia e história.