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Artigos

Vol. 18 Núm. 29 (2023): Linguagem e psicanálise: teoria, clínica, política

MONTAGEM PERVERSA E CINISMO: (CON)FUSÕES E FRATURAS DISCURSIVAS

DOI
https://doi.org/10.22456/2594-8962.132769
Enviado
mayo 28, 2023
Publicado
2023-09-21

Resumen

Considerado como uma das maiores correntes filosóficas da Antiguidade, o cinismo percorreu todo o pensamento ocidental. Seus preceitos foram recuperados, ressignificados e reapropriados por diversos movimentos político-ideológicos ao longo de nossa história e, após dois milênios de transformações, tornou-se uma prática discursiva que tem encontrado grande ressonância na atualidade. Cada vez mais hegemônica em nossas sociedades contemporâneas, a prática discursiva cínica está relacionada a um processo de subjetivação determinado pelo funcionamento das estruturas institucionais que aparelham a linguagem e o gozo. As estruturas institucionais são regidas pelo discurso capitalista que, fruto do encontro entre o discurso do mestre, a ciência e o modo de produção capitalista, é produtor de gozo e verdade, além de segregador dos laços sociais (QUINET, 2006). Produzido como efeito do funcionamento dessas estruturas institucionais, o sujeito cínico atua no contexto de uma montagem perversa (CALLIGARIS, 1986), por meio de distorções performativas paradoxais (SAFATLE, 2010), de modo a instrumentalizar o funcionamento da renegação fetichista, um funcionamento que pressupõe uma relação contraditaria, porém operante, entre saber (direto) e crença (deslocada).  

Palavras-chave: Cinismo. Montagem perversa. Verdade. Saber. Crença.

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