Este estudo deseja compreender o hibridismo formal do épico contemporâneo Uma viagem à Índia, do escritor português Gonçalo M. Tavares. A hipótese desenvolvida é a de que a obra representa a resistência de um modelo considerado morto por importantes pensadores da modernidade, a saber, o épico, por meio da intertextualidade com esse discurso notadamente “maior”. Os dispositivos ficcionais/poéticos acionados pelo texto tavariano produzem um índice de subversão no interior do próprio discurso que possibilita, por fim, ler Uma viagem à Índia sob o viés de uma “literatura menor”, categoria desenvolvida por Deleuze & Guattari, sobretudo em Kafka: por uma literatura menor (1975).