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Artigos

v. 21 n. 34 (2026): Escritas da Urbe: Disputas, Afetos e a Reinvenção de Porto Alegre na Literatura e nas Artes (2009-Presente)

Vagar o delírio adentro: considerações grotescas sobre Porto Alegre em "Viaduto", de Isadora Dutra

DOI
https://doi.org/10.22456/2594-8962.155260
Enviado
4 maio 2026
Publicado
02-08-2026

Resumo

Este artigo analisa a obra Viaduto, de Isadora Dutra, a partir das relações entre corpo, subjetividade e espaço urbano, tendo como eixo o princípio estético do grotesco. A narrativa acompanha dois personagens em crise — uma professora e um diretor de teatro — cujas trajetórias se cruzam no centro de Porto Alegre, configurado como espaço degradado e desagregador. Argumenta-se que a cidade atua como agente ativo na produção da crise subjetiva, ao mesmo tempo em que reflete estados psíquicos marcados pela instabilidade e pela sensação de ameaça. A estrutura em duas vozes narrativas reforça a fragmentação da experiência urbana contemporânea. A partir da noção de “anti-flâneur”, discute-se a errância dos personagens como deslocamento compulsório, vinculado à precarização material e emocional. O viaduto Otávio Rocha emerge como figura central, ressignificado como organismo devorador que simboliza a falência do projeto moderno de cidade

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