Este artigo interroga o estatuto teórico do conceito de acontecimento em análise de discurso para discutir duas questões centrais: 1) situar aquilo que o analista de discurso chama de análise; 2) sustentar um debate sobre as relações entre psicanálise e análise de discurso a partir de uma posição teórica que não dilui um campo no outro. O gesto de leitura toma como corpus de análise documentos que emergem no bojo das tensões entre o Estado e os africanos libertos no Brasil oitocentista e objetiva definir a relação entre acontecimento, suspeição e rumor na constituição do imaginário nacional. Trata-se, sem dúvidas, de uma discussão inicial, incipiente e que tem por objetivo fundamental a abertura de um debate franco a respeito das relações entre as categorias de análise e discurso em análise de discurso e psicanálise.