Quando examinamos atentamente o Seminário 20 de Jacques Lacan, podemos perceber que, na relação entre significante e significado que este vem construindo, o referente ocupa um lugar semelhante ao que ocupa na teorização saussureana do signo linguístico. De fato, onde Lacan parece se distanciar da linguística de Saussure, ele encontra ou alcança, a rigor, seu momento mais saussuriano, se admitirmos, como deveria ser feito, que em Saussure o significante e o significado não têm o mesmo estatuto na formação do signo linguístico.
Este artigo investiga a relação entre Lacan e Saussure no que diz respeito à forma como concebem e definem o conceito de referente e, ao fazê-lo, baseiam-se em uma dialética hegeliana que articula especificamente a interação entre a positividade da substância e a negatividade da língua.