O HUMANISTA E A TEINIAGUÁ

Authors

  • Antônio Marcos V. Sanseverino UFRGS

Abstract

O presente ensaio analisa a posição do narrador em O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo, focalizando o episódio “A teiniaguá” e a reflexão metaficcional proposta por Floriano Cambará em O Arquipélago. Parte-se da tensão entre o ideal de imparcialidade do narrador heterodiegético e a impossibilidade dessa neutralidade, tematizada no diálogo entre Floriano e Roque Bandeira. A análise concentra-se especialmente na figura de Luzia, construída por meio do deslocamento contínuo do ponto de vista e da incorporação das percepções das demais personagens, sem acesso direto à sua interioridade. Argumenta-se que tal procedimento narrativo se articula a uma concepção humanista do romance, entendida como prática de escuta, contraponto e complexificação ética das personagens. Para fundamentar essa leitura, mobilizam-se as reflexões de Georg Lukács sobre o humanismo no realismo literário e de Edward Said sobre o humanismo secular e democrático, compreendendo o narrador de O Continente como agente de uma reconstrução histórica plural, crítica e não idealizante do passado sul-rio-grandense.

PALAVRAS-CHAVE: Erico Verissimo; O Tempo e o Vento; narrador; humanismo; ponto
de vista.

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Published

2026-04-14

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