A CIDADE NEOLIBERAL E AS VIDAS PRECARIZADAS:
A DIMENSÃO VIVIDA DA CRISE DA MORADIA NA ESPANHA PÓS CRISE DAS HIPOTECAS
Resumo
O presente artigo se apoia em pesquisa de tese que toma como objeto o caso espanhol da crise das hipotecas de 2008, compreendendo este como um caso paradigmático do modelo de produção da moradia e da cidade neoliberal e das contradições dele decorrentes. Após uma década em que boom imobiliário representou o motor da economia espanhola, apoiado no endividamento hipotecário das famílias, a crise do setor, desencadeada logo após a crise das hipotecas subprime dos EUA, representou a derrocada da economia do país e das famílias. Estas, endividadas e despejadas de suas casas em favor do banco credor, não encontravam amparo no Estado que afirmava a necessidade de adotar austeridade fiscal, com cortes em políticas sociais, ao passo que criava medidas para mitigar prejuízos de bancos. A equação casa sem gente e gente sem casa revela a contradição do modelo. É nesse contexto que o presente artigo coloca-se com o objetivo de analisar como o modelo de gestão da moradia e da cidade em tensão no caso espanhol produziu precarização das alternativas de moradia e das condições objetivas e subjetivas para a qualidade de vida das pessoas envolvidas. Acionando revisão bibliográfica sobre o caso espanhol e coletas realizadas em observação participante junto ao movimento social Plataforma de Afetados pelas Hipotecas de Barcelona, com realização de entrevistas semi-diretivas, o texto constrói uma narrativa em que o testemunho da experiência vivida tem importância especial. Em conclusão, a reflexão afirma a necessidade da denúncia e visibilização das graves consequências do modelo de gestão da moradia e da cidade, como expresso no caso espanhol que, como afirma a literatura crítica urbana, expressa um modelo de escala global.
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