O tempo do sertão, o sertão no tempo: antigos, modernos, selvagens. Leitura de Os sertões

Autores

  • Fernando Nicolazzi

DOI:

https://doi.org/10.22456/1983-201X.18945

Palavras-chave:

Os sertões, Distância, Antigos, modernos e selvagens

Resumo

Este artigo apresenta uma leitura do livro de Euclides da Cunha, Os sertões, considerando a forma pela qual a diferença é nele representada. Parte-se da ideia de que a obra é construída segundo uma noção de distância de tempos que separa o tempo do sertão da temporalidade daquilo que o autor define como civilização. Nesse sentido, parte das estratégias discursivas utilizadas na feitura do livro trabalha segundo uma comparação entre antigos, modernos e selvagens de forma que a figura da alteridade se torne ali assimilável.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fernando Nicolazzi

Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Referências

ANDRADE, O. de S. História e interpretação de “Os sertões”. São Paulo: Edart, 1960.

BERNUCCI, L. A imitação dos sentidos: prógonos, contemporâneos e epígonos de Euclides da Cunha. São Paulo: Edusp, 1995.

BLANCKAERT, C. Unité et altérité. La parole confisquée. In: BLANCKAERT, C. (textes rassemblés et présentés par). Naissance de l’ethnologie? Paris: Les Éditions du Cerf, 1985, p. 11-22.

CERTEAU, M. de. Histoire et anthropologie chez Lafitau. In: BLANCKAERT, C. (textes rassemblés et présentés par). Naissance de l’ethnologie? Paris: Les Éditions du Cerf, 1985, p. 62-89.

CUNHA, E. Terra sem historia (Amazonia). In: CUNHA, E. À margem da história. 4. ed. Porto: Livraria Chardon, de Lelo & Irmão, L.da, 1926.

CUNHA, E. da. Os sertões. Edição crítica de Walnice Nogueira Galvão. São Paulo: Ática, 2004.

DUCHET, M. Le partage des savoirs: discours historique, discours ethnologique. Paris: Éditions La Découverte, 1985.

______. Essais d’anthropologie: espace, langues, histoire. Paris: PUF, 2005.

FABIAN, J. Time and the emerging other. In: FABIAN, J. Time and the other: how anthropology makes its object. New York: Columbia University Press, 1983, p. 1-36.

FACIOLI, V.; NASCIMENTO, J. L. do (Org.). Juízos críticos: Os sertões e os olhares de sua época. São Paulo: Nankin Editorial; Editora da Unesp, 2003.

FREYRE, G. Atualidade de Euclydes da Cunha. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1941. Disponível em http://bvgf.fgf.org.br/portugues/obra/opusculos/atualidade_euclides.htm Acesso em 30 nov. 2009.

GRAFTON, A.; SHELFORD, A.; SIRAISI, N. New worlds, ancient texts: the power of tradition and the shock of discovery. Cambridge: Harvard University Press, 1992.

HARTOG, F. Régimes d’historicité: présentisme et expériences du temps. Paris: Éditions du Seuil, 2003.

______. Anciens, modernes, sauvages. Paris: Galaade Éditions, 2005.

HRUBY, H. Obreiros diligentes e zelosos auxiliando no preparo da grande obra: a história do Brasil no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1889-1912). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

KOSELLECK, R. Le concept de l’histoire. In: KOSELLECK, R. L’expérience de l’histoire. Paris: Gallimard; Le Seuil, 1997, p. 15-99.

______. O futuro passado dos tempos modernos. In: KOSELLECK, R. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC/RJ, 2006. p. 21-39.

KUPER, A. Barbarian, sauvage, primitive. In: KUPER, A. The reinvention of primitive society: transformations of a myth. London: Routledge, 2005, p. 20-36.

LÉVI-STRAUSS, C. Race et histoire. Paris: Unesco, 1952.

LIMA, L C. Terra ignota: a construção de Os sertões. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.

MARQUES Jr., M. La terre vive: pour une étude stylistique d’Euclides da Cunha. In: ROLLAND, D.; SANTOS, I. M.-F. dos (Coord). Le Brésil face à son passé: le guerre de Canudos: Euclides da Cunha, l’écriture et la fabrique de l’histoire. Paris: L’Harmattan, 2005.

NICOLAZZI, F. O narrador e o viajante: notas sobre a retórica do olhar em Os sertões. História da Historiografia, n. 2, p. 67-85, 2009.

PAGDEN, A. The fall of natural man: the American Indian and the origins of comparative ethnology. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

______. Eighteenth-century anthropology and the “history of mankind”. In: KELLEY, D. R. (Ed.). History and the disciplines: the reclassification of knowledge in early modern Europe. Rochester: The University of Rochester Press, 1997, p. 223-235.

PESCHANSKI, C. Os bárbaros em confronto com o tempo (Heródoto, Tucídides, Xenofonte). In: CASSIN, B. et al. Gregos, bárbaros, estrangeiros: a cidade e seus outros. São Paulo: Editora 34, 1993, p. 56-75.

ROCHA, J. C. de C. “O Brasil era terra do exílio”: Euclides da Cunha e o paraíso perdido. In: ROCHA, J. C. de C. O exílio do homem cordial: ensaios e revisões. Rio de Janeiro: Museu da República, 2004.

TURIN, R. A “obscura história” indígena. O discurso etnográfico no IHGB (1840-1870). In: GUIMARÃES, M. L. S. Estudos sobre a escrita da história. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006, p. 111-132.

VENTURA, R. Visões do deserto: selva e sertão em Euclides da Cunha. In: BRAIT, B. (Org.). O sertão e Os sertões. São Paulo: Arte & Ciência, 1998. p. 133-147.

______. Euclides da Cunha: esboço biográfico. Organização de Mario Cesar Carvalho e José Carlos Barreto de Santana. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

______. Euclides da Cunha dans la vallée de la mort. In: ROLLAND, D.; SANTOS, I. M.-F. dos (Coord). Le Brésil face à son passé: le guerre de Canudos. Euclides da Cunha, l’écriture et la fabrique de l’histoire. Paris: L’Harmattan, 2005.

Downloads

Publicado

2010-12-30

Como Citar

Nicolazzi, F. (2010). O tempo do sertão, o sertão no tempo: antigos, modernos, selvagens. Leitura de Os sertões. Anos 90, 17(31), 261–285. https://doi.org/10.22456/1983-201X.18945