A simbologia da política e da guerra no universo torcedor: as apropriações da figura de Che Guevara entre torcidas organizadas no Brasil
The political and war symbology in the universe of the supporters: The appropriations of the figure of Che Guevara between organized supporters in Brazil
DOI:
https://doi.org/10.22456/1983-201X.129543Palavras-chave:
Torcidas organizadas, política, universo simbólico, Che GuevaraResumo
O artigo explora as apropriações que um segmento de torcidas organizadas brasileiras fez da figura do líder revolucionário latino-americano Che Guevara, desde pelo menos os anos 1980 e que ainda hoje se faz presente no espaço das arquibancadas e no seu imaginário mais amplo. Procura-se mostrar de que modo o significado atribuído ao personagem adquire diversos sentidos no âmbito do futebol, com a incorporação de seu símbolo em lemas, efígies e bandeiras, conformando elementos de uma cultura material e simbólica nos estádios, associada à identificação de determinados agrupamentos torcedores. Tais sentidos tem caráter dinâmico e se mostram ora políticos, ora beligerantes, ora culturais, uma vez que Che Guevara tornou-se ícone de rebeldia não só no Brasil, mas participa de uma subcultura internacional de torcidas ultras na Europa e no restante do mundo. Após discorrer sobre o surgimento de sua figura nos estádios brasileiros, o texto apresenta a construção de uma rede de aliança nacional inter-torcidas no Brasil, estruturada em torno da referência icônica a Che Guevara. Por fim, como estudo de caso, o artigo se debruça sobre a rivalidade entre torcidas organizadas de um mesmo estado – Máfia Azul e Galoucura, ligadas aos clubes Cruzeiro e Atlético, de Minas Gerais, respectivamente – cujo antagonismo fez com que, em contraponto a Che Guevara, o grupo rival estilize a figura de René Barrientos, militar e político de extrema-direita, responsável pelo seu assassinato nas selvas da Bolívia, em 1967.
