Belo Horizonte:
Religião, Morte e Gentrificação no Projeto Modernizador em uma Nova Capital Republicana
Resumo
A colonização portuguesa na América não se marcou por projetar cidades com vistas à ocupação humana de modos a ser a extensão populacional do país sede. As cidades planejadas no Brasil surgem a partir de fins do século XIX com o advento da República. Este artigo estuda um dos grandes exemplos de cidades planejadas a partir desse período. Trata-se da cidade de Belo Horizonte, planejada para ser capital de Minas Gerais que é um dos estados do federalismo brasileiro. O processo de fundação da nova urbe revela-nos o caráter autoritário e o racismo ambiental desta república, uma de suas principais características desde sua fundação até o momento atual. O texto apresenta o tema da religião e do cuidado com os mortos. Demonstra-se o autoritarismo de uma elite influenciada pela ideia do progresso da razão de matriz iluminista e positivista contra a população local, expulsa para os arrabaldes, entendida como representante do atraso que se queria superar. A pesquisa foi feita em arquivos e por meio de bibliografia especializada, relacionando a construção de Belo Horizonte aos processos de gentrificação e racismo que culminaram no topocídio de Curral del Rey.
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