Maçãs e ancestralidade
o assalariamento de uma comunidade quilombola (Muitos Capões/RS)
Resumo
este artigo se propõe a analisar, por meio da história oral, o processo de proletarização da comunidade remanescente de quilombo Mato Grande, situada no município de Muitos Capões/RS. A partir das lentes da história ambiental e de uma discussão sobre antropoceno e capitaloceno, identificou-se que os processos de mudança ambiental decorrentes da pomicultura de maçãs no município levaram os moradores a abandonarem o plantio de subsistência e se dedicarem a vender sua força de trabalho nas firmas de maçã da região. Como consequência, há uma importante perda de identificação com o território, o aumento de uma expropriação indireta e a diminuição de sociabilidades entre os quilombolas.
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