Futuros presentes
política, técnica e corpo no antropoceno de Daniel Galera
Resumo
Este artigo propõe um diálogo entre literatura, história e filosofia. A temática mobilizada para tal interlocução torna imperativo o trânsito por conceitos como política, tempo, técnica, cosmotécnica, antropoceno e democracia. Busca-se recorrer à parte das análises de Chakrabarty (2025) sobre a era da crise climática e como o global encontra o planetário, problema que possibilita um itinerário reflexivo pelos conceitos mencionados. O texto almeja articular estas problemáticas a uma leitura da ficção do escritor Daniel Galera em O deus das avencas, composto por três novelas. A primeira, homônima, descreve a ascensão, e provável vitória eleitoral reacionária, vislumbrando a formação de um governo com características fascistas, já Tóquio indica um colapso socioambiental não muito afastado temporalmente de nosso marco atual. A última é Bugônia, que descreve o nosso inevitável devir na dinâmica com o espaço tempo. Assim, propõe-se pensar a intervenção da literatura no tensionamento do presente e do nosso fazer desde já embriagado de futuro.
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