ST 9. O Islã na África e a África no Islã

das rotas de difusão às transformações culturais

Autores

  • Gabriel dos Santos Giacomazzi Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Resumo

Este Simpósio Temático propõe debater pesquisas que situem historicamente a experiência do Islã em África, considerando a sua diversidade cultural e geográfica, e suas transformações ao longo do tempo. O Islã, religião abraâmica difundida a partir da Arábia do século VII EC em diante, estabelece relações com os africanos desde seus primórdios - a tradição muçulmana reconhece o episódio da fuga dos Companheiros do Profeta Muḥammad a Axum em 615 EC, por exemplo. Adentrando o II Milênio, estas relações se constroem de maneira não-linear, para além da mera arabização e islamização, envolvendo a expansão desta fé pelas vias comercial e militar, ou ainda a resistência dos cultos tradicionais; mesmo nos casos da sua difusão, uma particularização de seus preceitos em função das tradições em cada contexto, contrariando a ortodoxia. Certa historiografia, em parte não-africana, invisibiliza o papel de ulemás, bexerins, marabutos e waganga, além das mulheres, no universo histórico-cultural islâmico em África. Porém, o Islã é “africanizado”, e a língua árabe e seu sistema de escrita exercem um papel fundamental nesse processo, integrando a África à tradição erudita islâmica e permitindo a seus intelectuais escreverem sua própria história, compondo a “biblioteca islâmica” (KANE, 2011; ROBINSON, 1985). Basta ver o exemplo das confrarias do misticismo islâmico sufi que encontram no continente africano um privilegiado espaço de difusão - a exemplo da Qadiriyyah e da Tijaniyyah, na área Ocidental, e da Ba’Alawiyyah e da Shadhiliyyah na costa Índico-africana; organizações que influenciaram diretamente na cosmovisão e nas práticas adotadas ao sul do Saara e na Costa Suaíli, cujas incorporações tradicionalistas dentro do Islã conferiram-lhes uma formulação única, próspera e não-homogênea. Em suma, serão bem-vindos neste ST trabalhos que visem restituir a “originalidade histórica” (DRAMANI-ISSIFOU, 2010) aos/à africanos/África, de modo a superar sua visão enquanto povos/terras conquistados, explorados e “civilizados” por agentes externos.

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Publicado

17-06-2024

Como Citar

GIACOMAZZI, Gabriel dos Santos. ST 9. O Islã na África e a África no Islã: das rotas de difusão às transformações culturais. Revista Aedos, [S. l.], v. 16, n. 36, p. 125–132, 2024. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/140235. Acesso em: 28 ago. 2025.