Quem pode ser historiador?
Reflexões sobre a memória e os cânones da História da Historiografia Brasileira
Resumo
Este artigo se debruça sobre as dimensões de gênero que atravessam a construção de uma memória sobre a história da historiografia brasileira a fim observar como o conjunto de referências que compôs a disciplina esteve, e ainda está, majoritariamente orientado pelo masculino. Em um primeiro momento, pretendo analisar os principais traços que acompanharam o status acadêmico da pesquisa histórica no Brasil. Em seguida, por meio da passagem sobre alguns dos manuais e livros introdutórios, buscarei mostrar que a construção desses conjuntos de referências mobiliza um universo de autores, predominantemente homens, que são, entre si, compartilhados e legitimados. Por fim, proponho uma observação de algumas recentes contribuições do campo para identificar como, ainda hoje, esse movimento é reciclado e espelhado. A hipótese é que a permanente construção do imaginário historiográfico e seus cânones continua a se orientar sobre essa forma sintomaticamente masculina, atuando sobre uma ideia precisa de quem pode ser historiador(a) e falar por meio de um discurso historiográfico.
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