Feminino negro no romance Lucinda, a Mucama, de Joaquim Manoel de Macedo
Resumo
Em diferentes contextos, a história da literatura brasileira apresenta mulheres negras em contos, romances, poemas, poesias como desprovidas de sentimentos, inapropriadas para o casamento e sexualmente desregradas. No presente artigo, a desconstrução de significados desqualificadores atribuídos ao feminino negro emerge do romance histórico intitulado Lucinda, a Mucama, que compõe a trilogia As Vítimas Algozes, de Joaquim Manoel de Macedo, escrita em 1865, contexto histórico e social abolicionista de suma importância à história dos negros na medida em que institui a cidadania. A partir do diálogo interdisciplinar, a análise evidencia como o discurso produzido sobre os negros atravessa ficcionalidades históricas, as quais, por sua vez, objetificam e erotizam mulheres negras, assim, busca colaborar com o processo de desconstrução de significados contraproducentes em relação aos lugares sociais atribuídos ao feminino negro na história da literatura e de reparação dos danos provocados pelo racismo estrutural no Brasil.
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