O Negro no IHGB:
da constituição da “Casa da Memória Nacional” à operação da ausência.
Resumo
Meu intuito neste artigo é analisar um campo discursivo sobre o negro que procura repetir enunciados disponíveis para constituir, em meio à retórica da nacionalidade do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, uma ausência. Busquei investigar na Revista da agremiação uma produção historiográfica que, para fabricar uma nacionalidade, procurou persuadir nacionais e estrangeiros de que mais da metade da população do país foi ausente da história brasileira. Pretendo observar como, desde a sua fundação, as delimitações das possibilidades de escrita da história e a determinação dos primeiros contornos de uma operação historiográfica em seus anos iniciais, o IHGB, uma instituição com fortes laços com o governo imperial, buscou domesticar o passado da nação para produzir uma identidade e um passado nacional excludente e majoritariamente branco, seja por meio do silenciamento acerca dos negros ou pela concentração exclusiva do saber etnográfico no passado indígena.
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