Transformações do Trabalho e Alimentação na Era das Dark Kitchens: Um Estudo Sobre Precarização e Inovação na Sociedade Contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.22456/1983-8026.135608Palavras-chave:
Dark Kitchens, Tendência, Precarização das Relações de TrabalhoResumo
Este estudo investiga as operações de dark kitchens em São Paulo, enfocando os desafios operacionais, trabalhistas e ambientais enfrentados durante a pandemia de COVID-19. Realizou-se um estudo de caso múltiplo envolvendo cinco estabelecimentos situados no centro da cidade, selecionados entre fevereiro e maio de 2024 com base em sua localização, público-alvo e número de colaboradores. A metodologia incluiu observação direta e entrevistas com os trabalhadores, concentrando-se em aspectos como condições de emprego, segurança alimentar e dinâmicas trabalhistas. Os achados revelam uma acentuada precarização das condições laborais, caracterizadas por longas horas de trabalho e falta de benefícios, além de questões ambientais como falta de ventilação adequada e espaço insuficiente para os entregadores. Outros impactos negativos observados incluem poluição sonora e interrupções para os moradores locais, provocadas pela atividade dos estabelecimentos. Ademais, enfrentam dificuldades substanciais em sustentar níveis aceitáveis de segurança alimentar, o que representa um risco para a saúde dos consumidores. O estudo destaca a urgência de políticas reguladoras abrangentes e multidisciplinares que considerem os efeitos desses estabelecimentos, procurando equilibrar inovação comercial com responsabilidade social e ambiental. Os insights derivados deste trabalho são relevantes para o desenvolvimento de políticas futuras que focam na proteção dos trabalhadores, garantia da segurança alimentar e integração comunitária. Pesquisas futuras deverão aprofundar a análise sobre os modelos de negócios emergentes no setor gastronômico rápido.
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