IDEB EM FOZ DO IGUAÇU:
avanços, desafios e invisibilidades em avaliações de grande escala
Palabras clave:
evaluación a gran escala; frontera; migración; invisibilidades.Resumen
O presente artigo analisa criticamente os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) no município de Foz do Iguaçu, com ênfase no desempenho obtido nos anos iniciais do ensino fundamental em 2023. Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a cidade possui uma realidade educacional marcada pela intensa diversidade linguística, cultural e social, o que desafia os modelos avaliativos padronizados utilizados nacionalmente. A pesquisa parte do pressuposto de que os instrumentos de avaliação em larga escala, como o SAEB e o IDEB, não captam adequadamente as especificidades de territórios como Foz do Iguaçu, invisibilizando sujeitos e contextos que deveriam ser centrais na formulação das políticas públicas educacionais. Com base em revisão bibliográfica, análise documental, dados educacionais locais e estudos recentes de Ávila (2023), da UNILA, e de Machado (2023) e Santos e Oliveira (2023), da UNIOESTE, o artigo reflete sobre os limites da padronização avaliativa diante da complexidade das escolas municipais, especialmente aquelas que atendem crianças migrantes, multilíngues e em situação de vulnerabilidade. A nota 7,4 alcançada por Foz do Iguaçu em 2023 é contextualizada com a média do estado do Paraná e com o desempenho de escolas específicas, como a Escola Municipal do Campo Brigadeiro Antônio Sampaio, evidenciando contradições entre os dados e a realidade escolar. Os resultados apontam que, apesar de avanços legislativos e institucionais no município — como a instituição do Sistema Municipal de Ensino e a valorização da educação plurilíngue — o IDEB continua operando sob uma lógica gerencialista que não considera a diversidade e reforça desigualdades. Conclui-se que é urgente revisar os usos desse indicador e adotar práticas avaliativas mais inclusivas, dialógicas e sensíveis ao contexto, capazes de promover uma educação pública democrática, justa e emancipadora.
