As coisas não se ouvem de fora

Poesia, autismo e apóstrofe em Tito Mukhopadhyay e Mô Ribeiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1981-4526.151527

Palavras-chave:

Poesia, autismo, apóstrofe, Tito Mukhpadhyay, Mô Ribeiro

Resumo

Este artigo busca compreender possíveis relações entre o recurso poético da apóstrofe e o engajamento com objetos presentes em manifestações de pessoas autistas. A análise é realizada com foco na produção poética de dois poetas autistas que se destacam pela utilização de apóstrofes: o indiano Tito Mukhopadhyay e a brasileira Mô Ribeiro. Para o desenvolvimento da análise, os principais aportes teóricos utilizados são as proposições sobre poesia, apóstrofe e personificação de Jonathan Culler; as reflexões sobre linguagem autista de Elizabeth Fein, Laura Sterponi, Amanda Baggs e Gustavo Rückert, bem como as aproximações sobre linguagem e poesia propostas por Ralph James Savarese. Os resultados apontam para uma diferença epistêmica na utilização do endereçamento apostrófico por parte dos poetas autistas. Culler propõe que o diálogo estabelecido com objetos ou seres inanimados possui validade simbólica e é aceito dentro de uma espécie de pacto poético. No entanto, em poetas como Mukhopadhyay ou Ribeiro, percebemos o alargamento dessa utilização, sendo reconhecida a alteridade de elementos da natureza ou de seres ditos inanimados. Assim, a linguagem autista se aproximaria de uma visão de mundo ameríndia ou africana e oferece importante contraponto à violência epistêmica ocidental que denunciam autores como Boaventura de Sousa Santos e Severino Ngoenha.

   

Palavras-chave: Poesia; autismo; apóstrofe; Tito Mukhpadhyay; Mô Ribeiro.

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Biografia do Autor

Gustavo Ruckert, UFPel

Professor do Centro de Letras e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas, com atuação no Programa de Pós-Graduação em Letras, linha de pesquisa Literatura, Cultura e Tradução. Doutor em Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Coordenador do projetos de pesquisa "As palavras a girar: poesia autista em movimento" (UFPel/CNPq) e "Representações da deficiência na literatura pós-colonial em língua portuguesa" (UFPel/CNPq). Membro da Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas. 

Sophia Mendonça, Universidade Federal de Pelotas

Doutoranda em Letras, linha de pesquisa Literatura, Cultura e Tradução pela Universidade Federal de Pelotas. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Graduada em Jornalismo, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte. Integrante do projeto de pesquisa "As palavras a girar: poesia autista em movimento" (UFPel/CNPq).

Camila de Oliveira Paz, Universidade Federal de Pelotas

Mestranda em Letras, linha de pesquisa Literatura, Cultura e Tradução pela Universidade Federal de Pelotas. Graduada em Letras - Redação e Revisão de Textos, pela Universidade Federal de Pelotas. Integrante do projeto de pesquisa "As palavras a girar: poesia autista em movimento" (UFPel/ CNPq). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Selma Sueli Silva, Universidade Federal de Pelotas

Mestranda em Letras, linha de pesquisa Literatura, Cultura e Tradução pela Universidade Federal de Pelotas. Pós-graduada em Comunicação e Gestão Empresarial pela IEC/MG. Graduada em Jornalismo e Relações Públicas pela PUC/MG. Integrante do projeto de pesquisa "As palavras a girar: poesia autista em movimento" (UFPel/CNPq). 

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Publicado

2026-04-06

Como Citar

Ruckert, G., Mendonça, S., Paz, C. de O., & Silva, S. S. (2026). As coisas não se ouvem de fora : Poesia, autismo e apóstrofe em Tito Mukhopadhyay e Mô Ribeiro . Nau Literária, 22(1), p. 57 – 68. https://doi.org/10.22456/1981-4526.151527

Edição

Seção

Dossiê: A contemporaneidade da lírica: apóstrofes, endereçamentos e anacronismos