CURANDEIRISMO NA FRONTEIRA ENTRE MATO GROSSO E O PARAGUAI: 1882-1943
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-6524.134491Resumen
Este trabalho tem como objeto a curandade, prática cultural relevante na fronteira entre o estado do Mato Grosso e o Paraguai até o início de 1940. O objetivo foi definido de modo a centrar-se na análise das práticas de Nhá Chaló, talvez a figura mais emblemática entre os curandeiros da fronteira. O levantamento de dados empíricos limitou-se aos contos de Hélio Serejo (1912-2007) disponíveis nos livros Carai Ervateiro e Nhá Chaló. O curandeirismo, enquadra-se na medicina empírica, que usavam recursos fitoterápicos por meio de chás, garrafadas, cataplasmas, unguentos, purgantes, vomitórios, além dos recursos como sangrias, dietas com comidas especiais. Esses foram recursos usados por Nhá Chaló e por meio deles a curandeira se notabilizara. Foi possível verificar que os procedimentos adotados por Nha Chaló não foram arbitrários nem inconsequentes. Baseavam-se em saberes práticos, sistematizados ao longo dos séculos e passados de geração em geração, principalmente entre os indígenas da etnia Guarani. Baseavam-se no senso comum, tomado no sentido gramsciano, e o próprio crivo do conhecimento científico, hoje disponível, mostra sua eficácia.
Palavras-chave: Etnia Guarani; Práticas Culturais; Medicina Rústica; Plantas Medicinais.
