A FESTA WIRA’U HAW, COSMOLOGIA E CORPOREIDADE ENTRE OS TENETEHAR-TEMBÉ
Resumo
Este estudo apresenta uma etnografia da festa do wira’u haw/festa-da-moça, um rito pubertário promovido pelo povo Tenetehar-Tembé para a produção da corporeidade. Os Tembé pertencem ao tronco linguístico Tupi e habitam, em sua maioria, a Terra Indígena Alto Rio Guamá (TIARG), no nordeste do estado do Pará. Com base na observação participante pudemos entender a festa da menina-moça como um complexo processo ritual de passagem que, ao todo, ocorre em três momentos especiais: a tocaia, a festa do mingau e a festa-da-moça. Esse momento é antecedida por uma atividade de caça, cujos animais específicos são agenciados para a corporalidade dos iniciados e a sociabilidade da festa. Durante todo o momento, os meninos e meninas ficam reclusos aos espaços da ramada, onde recebem auxílio e orientações dos mais velhos. Eles devem pular o Kae-Kae, contribuir com algumas tarefas, ter seus corpos pintados e aguentar até o final da festa. A festa aciona o contato com as karuwars possibilitando que a cosmologia e a organização social Tembé entre em perspectiva com outros corpos e sujeitos.
