MEMÓRIA, NARRAÇÃO E CINEMAS INDÍGENAS
AFASTANDO LÓGICAS TUTELARES
Resumo
O presente artigo discute as noções de memória e narração com base em perspectivas indígenas e não indígenas, buscando evidenciar possibilidades de diálogo entre epistemologias originárias e a tradição ocidental, sem desconsiderar as diferenças ontológicas que atravessam esses encontros. Mobilizando a noção de equivocação, propõe-se uma leitura que não reduza tais diferenças a traduções assimétricas, frequentemente associadas a formas de tutela epistemológica. Após delinear sentidos de memória e narração nessas matrizes, o artigo examina modos de fazer cinema indígena no Brasil, destacando produções que se articulam a regimes coletivos de criação e a cosmologias específicas, orientando-se tanto para a preservação de memórias quanto para o enfrentamento político. Embora essa vertente, frequentemente associada ao documentário, tenha ganhado centralidade, argumenta-se que não constitui um modelo homogêneo nem normativo. Trata-se de uma investigação teórico-epistemológica, de caráter exploratório, que sustenta que a definição de critérios fixos para o cinema indígena tende a reproduzir a lógica do poder tutelar.
