Feline Cutaneous Mast Cell Tumors:
Aggressive Clinical Presentations
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.152475Palavras-chave:
Felino, Mastocitoma, NeoplasiaResumo
Introdução :
Os tumores de mastócitos (MCTs) em gatos são relativamente comuns e, em geral, descritos como neoplasias com comportamento biológico indolente e prognóstico favorável. No entanto, uma parcela dos casos pode apresentar evolução agressiva, com recorrência local, disseminação cutânea, acometimento de linfonodos ou comprometimento de órgãos viscerais. Devido à ausência de um sistema de graduação validado e à limitação de marcadores prognósticos para os tumores de mastócitos felinos, a previsão do seu comportamento biológico permanece desafiadora. Este relato teve como objetivo descrever e discutir apresentações clínicas agressivas, achados diagnósticos, tratamentos e desfechos de pacientes felinos diagnosticados com tumores cutâneos de mastócitos.
Caso:
Dois gatos machos, sem raça definida, diagnosticados com tumores cutâneos de mastócitos no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal Fluminense entre 2018 e 2019 foram avaliados retrospectivamente. O primeiro caso envolveu um gato de oito anos que apresentava lesão nodular ulcerada não cicatrizante na orelha esquerda, associada a regurgitação e prurido. O exame citopatológico foi sugestivo de tumor de mastócitos, sendo realizada pinnectomia unilateral. A histopatologia revelou tumor cutâneo de mastócitos pouco diferenciado, com margens cirúrgicas livres, anisocitose e anisocariose moderadas e aumento da atividade mitótica. Apesar da quimioterapia adjuvante com vinblastina associada a corticosteroides e medicação de suporte, o paciente desenvolveu neutropenia grave e, subsequentemente, múltiplos novos nódulos cutâneos compatíveis com disseminação tumoral. A piora clínica progressiva impediu a continuidade da quimioterapia, e o paciente sobreviveu por 90 dias após a excisão cirúrgica.
O segundo caso envolveu um gato de dois anos com tumor cutâneo abdominal inicialmente classificado como histiocítico e excisado com margens livres de neoplasia. Houve recorrência tumoral em duas ocasiões no mesmo local, com posterior reclassificação histopatológica como tumor de mastócitos pouco diferenciado e alto índice proliferativo à imuno-histoquímica, incluindo aumento da expressão de Ki-67 e ausência de marcação para c-Kit. Durante o acompanhamento, o paciente desenvolveu uma massa mediastinal detectada à radiografia torácica e efusão pleural recorrente, com achados citológicos sugestivos de envolvimento por mastócitos. O gato foi tratado com quimioterapia à base de vinblastina, seguida de lomustina e corticosteroides como terapia paliativa, associada a toracocenteses repetidas, alcançando um tempo de sobrevida de 365 dias.
Discussão:
Embora os tumores cutâneos de mastócitos em gatos sejam comumente considerados benignos, os casos apresentados demonstraram que um comportamento biológico agressivo pode ocorrer mesmo em animais jovens ou em tumores inicialmente classificados como histiocíticos e excisados com margens livres. Foram observadas recorrência cutânea, suspeita de disseminação metastática, manifestações clínicas sistêmicas e resposta variável à quimioterapia, reforçando a marcada heterogeneidade dessa neoplasia em felinos. Esses achados evidenciaram as limitações das classificações histopatológicas atuais e o valor prognóstico restrito do status das margens cirúrgicas isoladamente. Os casos ressaltaram a importância de um estadiamento clínico completo, de avaliação histopatológica e imuno-histoquímica criteriosa e de acompanhamento a longo prazo. Além disso, sugerem que a quimioterapia adjuvante ou paliativa pode contribuir para o prolongamento da sobrevida em casos selecionados, apesar da ausência de protocolos padronizados. Estudos adicionais são necessários para aprimorar a estratificação prognóstica e definir melhor o papel das terapias adjuvantes nos tumores cutâneos de mastócitos felinos.
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