Atresia ani associada à fístula retovaginal em uma potra da raça Crioula

Autores

  • Henrique Dors Almeida Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0007-9987-3686
  • Alice Faé Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0006-8911-6991
  • Bruna Pioner de Jesus https://orcid.org/0009-0004-3031-6070
  • Guilherme Alberto Machado Clínica Veterinária Guadalupe Especializada em Equinos, Nova Santa Rita, RS, Brazil.
  • Renan Felipe Parizotti Clínica Veterinária Guadalupe Especializada em Equinos, Nova Santa Rita, RS, Brazil.
  • Paula Gerardi Bernardo Clínica Veterinária Guadalupe Especializada em Equinos, Nova Santa Rita, RS, Brazil.
  • Paola Rechembak Marchese Clínica Veterinária Guadalupe Especializada em Equinos, Nova Santa Rita, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0006-1988-7213
  • Ana Carolina Barreto Coelho Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil.

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.144798

Palavras-chave:

congênito, Equino, má formação, patologia

Resumo

Background: A atresia ani é uma má formação do trato gastrointestinal, que ocorre por uma falha no desenvolvimento embrionário e pode ter origem congênita ou por fatores ambientais. Os tratos gastrointestinal, urinário e reprodutivo tem a mesma origem embrionária e com o crescimento surgem estruturas que separam esses sistemas e ao final há o rompimento da membrana anal e a formação do ânus. A atresia ani ocorre quando há falha na perfuração dessa membrana. Em alguns casos ela pode vir acompanhada de outras patologias, como a formação de uma fístula retovaginal. Há uma escassez de relatos de atresia ani associada à fístula retovaginal em equinos, e não foi encontrado relatos em égua da raça Crioula.

Case: Potra, da raça Crioula com histórico de defecar pela vulva. No exame clínico do animal percebeu-se a não abertura do orifício anal e a presença de uma fístula retovaginal. Após os exames foi indicada a intervenção cirúrgica. Foi realizada uma preparação pré-operatória, com a administração de óleo mineral e laxantes por sonda nasogástrica, e enemas com óleo mineral para facilitar o trânsito do conteúdo fecal. No procedimento foi realizado enema com água morna para retirada de fezes, e após foi feita a antissepsia. A cirurgia foi dividida em dois estágios, primeiro o fechamento da fístula entre o reto e a vagina e segundo a abertura do orifício anal. Para a reparação da fistula foi feita uma incisão na região do períneo, e a divulsão dos tecidos até a localização da fístula, logo depois foram feitos dois planos de sutura, uma próxima ao assoalho do reto e o outra próxima ao teto da vagina. Em seguida, foi feita uma incisão entre os dois planos, cortando assim toda a comunicação existente. Após, foi realizada a incisão na pele para acessar a parede do reto. Com o acesso pelo reto foi possível fazer a reconstituição do órgão, sendo feita a ancoragem da parede intestinal na mucosa do ânus, reconstituindo o trajeto fisiológico do material fecal. No pós-operatório foi feita a sondagem para a administração de óleo mineral, também foram realizados enemas para facilitar a saída das fezes para diminuir a pressão exercida pelo conteúdo nos planos de sutura. Dois dias após o procedimento, a paciente apresentou grande dificuldade de defecação e um prolapso na região do períneo, devido à força exercida pelo conteúdo no local onde se encontrava a fístula. Logo após houve a deiscência das suturas, e a reabertura do canal entre o reto e a vagina. Foi indicada a reintervenção cirúrgica. Foram realizados, novamente, todos os processos pré-operatórios da primeira intervenção. Porém, faltando apenas um dia para a realização da segunda cirurgia, a paciente apresentou sinais de síndrome cólica, sendo submetida à laparotomia exploratória em que foi diagnosticada com compactação de cólon menor. Durante a recuperação pós-operatória o animal acabou tendo uma piora significativa no quadro clínico, que resultou no seu óbito três dias após a intervenção cirúrgica.

Discussion: O caso refere-se a uma potra da raça Crioula com atresia ani tipo II associada à fistula retovaginal. O diagnóstico foi estabelecido através dos sinais clínicos e alterações anatômicas observadas no exame físico. Essa é uma má formação rara em equinos, sendo mais descrita em bezerros e leitões. Por conta da comunicação retovaginal o animal, ainda que não tivesse orifício anal, defecava pela vulva, que foi o único sinal clínico observado. A correção cirúrgica consistiu em reparar a fístula e perfurar a membrana anal para separar os sistemas. Durante a recuperação houve a deiscência dos pontos por conta da grande pressão feita pelo conteúdo. O prognóstico dessa doença é reservado justamente pelas possíveis complicações após a cirurgia.

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Arquivos adicionais

Publicado

2025-09-07

Como Citar

Dors Almeida, H., Faé, A., Pioner de Jesus, B., Alberto Machado, G., Parizotti, R. F., Gerardi Bernardo, P., … Barreto Coelho, A. C. (2025). Atresia ani associada à fístula retovaginal em uma potra da raça Crioula. Acta Scientiae Veterinariae, 53. https://doi.org/10.22456/1679-9216.144798

Edição

Seção

Case Report

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