EIXO ELÉTRICO DA ONDA P NA ELETROCARDIOGRAFIA DE FELINOS SAUDÁVEIS E PORTADORES DE CARDIOMIOPATIA FENÓTIPO HIPERTRÓFICA
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.128360Resumo
A cardiomiopatia de fenótipo hipertrófico é a cardiopatia mais frequente em gatos, podendo ser assintomática ou associada a insuficiência cardíaca congestiva e/ou tromboembolismo arterial sistêmico. Como na medicina humana, fCMH em felinos é uma doença genética envolvendo um gene autossômico dominante.O exame eletrocardiográfico é utilizado para avaliar a presença de ritmo cardíaco e distúrbios de condução, sendo altamente recomendado em paciente com histórico de síncope, fraqueza e com presença de arritmias à ausculta. Embora o ecocardiograma seja o exame padrão-ouro para o diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica, os portadores da doença podem apresentar alterações eletrocardiográficas como taquiarritmias ventriculares e/ou supraventriculares, alterações indicativas de sobrecarga atrial ou ventricular, desvios do eixo elétrico e alterações de condução elétrica. A onda P reflete a eletrofisiologia atrial, bem como sua estrutura e função.Em decorrência das informações expostas, realizamos um estudo ecodopplercardiográfico e eletrocardiográfico em gatos, a fim de verificar a presença de correlação entre o eixo elétrico médio da onda p e a presença de cardiomiopatia de fenótipo hipertrófico, visando implementar essa avaliação na rotina. eletrocardiograma e investigar a possibilidade de seu auxílio no diagnóstico precoce de distúrbios cardíacos. Foram avaliados 100 gatos de diferentes raças, idades, machos e fêmeas, excluindo-se gatos com histórico de doença prévia além da cardiomiopatia hipertrófica. Os grupos foram formados após a obtenção dos resultados do exame ecocardiográfico (grupo controle e grupo cardiomiopatia). Oito dos 100 gatos não permitiram a avaliação ecocardiográfica, e os 92 restantes foram divididos em dois grupos (grupo controle, n=64 e grupo cardiopata, n=28) após o exame. Destes 92 animais, 28 gatos apresentaram o fenótipo de cardiomiopatia hipertrófica. Todos os gatos estudados apresentaram eixo elétrico médio da onda P dentro da normalidade para a espécie (0º a 90º). Com base nos valores do eixo elétrico da onda média p, não houve diferença significativa entre os grupos. O grupo controle apresentou mediana de 63,7o com valor máximo de 80o, valor mínimo de 60o e média de 65,1o. Por outro lado, o grupo fCMH apresentou mediana de 68,7 o com valor máximo de 85,3 o, valor mínimo de 56,3 o e média de 68,8º.Com base nos resultados obtidos no presente estudo, pode-se concluir que estudos de triagem em felinos assintomáticos devem ser cada vez mais implementados na rotina clínica veterinária, uma vez que a frequência encontrada foi alta (30,44%) e que os pacientes podem permanecer assintomáticos por anos até o desenvolvimento dos sinais. Deve-se concluir que não houve correlação entre o eixo elétrico médio da onda p e a presença de cardiomiopatia hipertrófica de fenótipo subclínico. Portanto, são necessários mais estudos, com felinos em diferentes estágios da doença, para avaliar se essa medida eletrocardiográfica nos permite auxiliar no seu diagnóstico, uma vez que é uma medida viável em gatos. Além disso, conclui-se que o eletrocardiograma deve ser utilizado como método auxiliar no diagnóstico da doença e não como exame de triagem.
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