Uso preemptivo de carprofeno ou grapiprant para analgesia perioperatória de gatas submetidas a ovariohisterectomia eletiva
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.125647Resumo
RESUMO
Fundo: Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) exercem seu efeito analgésico através da inibição periférica da síntese de prostaglandinas e de uma variedade de outros mecanismos periféricos e centrais. No entanto, os AINEs estão associados a alguns efeitos adversos, principalmente relacionados aos sistemas gastrointestinal, renal e hepático, a necessidade de destacando de pesquisas para o desenvolvimento de medicamentos mais seguros. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da administração pré-operatória de carprofeno ou grapiprant por via oral em gatas submetidas a ovariohisterectomia eletiva sob a qualidade da analgesia perioperatória e necessidade de fármacos hipnóticos e analgésicos.
Materiais, Métodos & Resultados: Foram selecionados 33 gatas adultas, sem raça definida e hígidas. Após 3 dias de adaptação, elas foram submetidas à ovariohisterectomia por celiotomia e alocadas aleatoriamente em dois grupos de acordo com o fármaco utilizado no pré operatório: GCAR (carprofeno 4 mg/kg VO 2 horas antes da cirurgia) e GGRA (grapiprant 2 mg/kg VO 2 horas antes da cirurgia). Como gatas foram pré-medicadas com acepromazina 0,05 mg/kg IV e posteriormente submetidass a anestesia geral com propofol IV. A manutenção da anestesia foi realizada com isoflurano em oxigênio a 100%. Após a indução anestésica, foi iniciado a infusão contínua de remifentanil na taxa de 10 μg/kg/h. Durante o período transanestésico, foram monitorados de forma contínua os parâmetros de frequência cardíaca, frequência, pressão arterial sistólica, média e diastólica por método oscilométrico, temperatura retal, pressão parcial de CO2 na final da expiração e saturação parcial de O2 na hemoglobina. A avaliação da nocicepção foi baseada nas mudanças dos parâmetros fisiológicos acima citados. A taxa de remifentanil utilizado não se alterou ao longo do tempo com a utilização de carprofeno. Porém, os animais que receberam grapiprant necessitaram de uma dose de remifentanil inferior aos 20, 25 e 30 minutos durante o procedimento. Como gatas que receberam carprofeno apresentaram uma elevação na frequência cardíaca média aos 30 minutos em relação aos valores de 20 e 25 minutos respectivamente. Já no grupo Grapiprant, o FC aos 35 minutos foi superior apenas àquela observada aos 25 minutos.
Discussão: A taxa de remifentanil não diferiu entre os grupos, nem mesmo entre os tempos para o GCAR, já para GGRA, a taxa de remifentanil foi menor a partir de 20 minutos de procedimento. Essa diminuição, pode estar relacionado a diminuição da necessidade de anestésicos e analgésicos pela diminuição da temperatura, o que ocasiona uma diminuição do metabolismo, bem como diminuição como do estimulo cirúrgico. O aumento dos parâmetros de pressão arterial sistólica, Média diastólica e frequência cardíaca observados em ambos os tratamentos a partir de 15 minutos de anestesia, está relacionado ao estímulo nociceptivo decorrente da 1ª e ligadura dos pedículos ovarianos e das manobras para exteriorização útero do útero, considerados os momentos de maior estimulo cirúrgico durante ovariohecistertomia, evidenciado pela liberação maior de cortisol e aumento dos parâmetros fisiológicos. Os resultados deste estudo mostram que a administração de carprofeno ou grapiprant se mostrou clinicamente semelhante quando utilizados de modo preemptivo visando analgesia perioperatória de gatas submetidas a ovariohisterectomia eletiva.
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