Carcinoma urotelial papilar invasivo em canina
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.146625Palavras-chave:
células transicionais, malignidade, neoplasia, patologia, vesícula urináriaResumo
Background: O carcinoma urotelial é uma neoplasia epitelial maligna, que pode afetar a vesícula urinária de animais domésticos. As neoplasias de vesícula representam 2% de casuística na espécie canina em relação a todas as neoplasias malignas que acometem essa espécie. Sinais clínicos mais comuns incluem hematúria, disúria, polaciúria e cistite. A doença tem maior prevalência em cães idosos, com controvérsia quanto à predisposição por sexo. A neoplasia geralmente se origina no trígono vesical, com possíveis metástases. Os fatores predisponentes para o desenvolvimento desta afecção incluem retenção de urina e a exposição prolongada do epitélio a carcinógenos. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de carcinoma urotelial papilar invasivo em uma cadela.
Case: Uma canina, fêmea, 15 anos, sem raça definida chegou para consulta com sinais de hematúria há 15 dias. O animal apresentou este mesmo quadro há cerca de um ano antecedente e foi tratada com antimicrobiano e anti-inflamatório. A tutora repetiu o tratamento, mas a hematúria não cessou. Foi solicitado exame ultrassonográfico abdominal total, onde foi vizualizada uma massa hiperecogênica em vesícula urinária, heterogênea no lúmen vesical, aparentemente aderida a parede, com vascularização, compatível com neoplasia. Foi realizado exame citológico, onde o diagnóstico foi sugestivo de carcinoma de células de transição, sendo necessário exame histopatológico para estabelecimento do diagnóstico definitivo. Iniciou-se tratamento medicamentoso, mas a paciente piorou, optando-se pela eutanásia. No exame necroscópico, em vesícula urinária, havia uma massa focalmente extensa, de coloração brancacenta a avermelhada, de superfície irregular, macia ao corte, medindo aproximadamente 5,0cm no seu maior eixo. A parede da vesícula urinária estava acentuadamente espessa, exibindo massa com superfície bocelada e brancacenta. Os rins apresentavam assimetria, com superfície irregular. O fígado apresentava moderada evidenciação do padrão lobular. Na cavidade torácica, o coração apresentava-se discretamente globoso. No pulmão, havia nódulos exofíticos, multifocais e arredondados. Microscopicamente, na vesícula urinária, havia proliferação neoplásica pouco delimitada de células uroteliais dispostas em papilas com múltiplas camadas com infiltração a submucosa e musculatura. As estruturas neoplásicas estavam ancoradas por discretos feixes fibrosos.
Discussion: O diagnóstico de carcinoma urotelial papilar invasivo foi estabelecido com base nos sinais clínicos, achados macroscópicos e histológicos. A canina deste caso tinha 15 anos de idade, e segundo a literatura, animais idosos são os mais acometidos. Sobre a predisposição racial, cães West Highland White Terrier, Shetland Sheepdog e Beagle têm maiores riscos, porém a canina relatada, não apresentava raça definida. O carcinoma urotelial pode se localizar em qualquer lugar da pelve renal e uretra, tendo a vesícula urinária como o local mais acometido, geralmente iniciando-se na região de trígono vesical. Neste relato, a neoplasia acometeu diretamente a parede da vesícula. Embora seja uma neoplasia incomum em cães, é importante levar em consideração em animais idosos com sinais de hematúria, disúria, cistite e afecções em geral no trato urinário inferior, principalmente quando recorrentes. Os exames de imagem são uma ótima ferramenta de triagem, porém, o diagnóstico definitivo é elucidado pelo exame histopatológico. A maioria dos casos apresenta malignidade alta, não restando muitas opções de terapia efetiva, tornando o prognóstico ruim. São necessários novos estudos quanto à etiologia, para que métodos de prevenção possam ser empregados com mais assertividade e para que o diagnóstico seja feito precocemente, melhorando assim o prognóstico dos pacientes.
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