Miocardite traumática em um cão por acidente automobilístico: relato de caso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.142170

Palavras-chave:

Trauma, ecocardiograma, eletrocardiograma, biomarcadores cardiacos, lesão miocárdica

Resumo

Resumo: Miocardite é uma doença miocárdica com prognóstico ruim em cães e gatos, e sua etiologia
pode ser infecciosa e não-infecciosa, como a miocardite traumática. A miocardite traumática é
relacionada à arritmias ventriculares e supraventriculares devido aos traumas torácicos após 24 a 48
horas após o episódio. O diagnóstico é desafiador, frequentemente subdiagnosticado e ferramentas
como o Critério de Duke modificado pode ser usado para obter diagnóstico antemortem com
interpretação de dosagem de biomarcadores como a troponina I (TnI), ecocardiograma (ECO) e
eletrocardiograma (ECG), achados de exame físico, e alterações hematológicas. No ECO pode-se
encontrar disfunção sistólica e heteroecogenicidade do miocárdio no ventrículo esquerdo, e efusão
pericárdica. Biomarcadores como a TnI tem alta especificidade para o tecido cardíaco e pode ser usado
na triagem emergencial. A enzima creatinoquinase-MB (CK-MB) está presente no coração, rins, intestino
e pulmão, e também podem ser utilizados como exame adicional na investigação da miocardite. O
objetivo é apresentar um caso raro de miocardite traumática. Caso: Uma canina de 9 anos, SRD,
castrada, fêmea foi atendida no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (HV-UEL),
Londrina, Paraná, Brasil, com o histórico de acidente automobilístico há 30 minutos. A paciente estava
consciente e em decúbito lateral, midríase bilateral e dispneia mista. Na auscultação torácica foi notado
crepitação pulmonar e abafamento cardíaco. A paciente recebeu oxigenioterapia, metadona e
fluidoterapia. Na radiografia torácica havia contusão pulmonar e no T-faz, foi visto diminuição da
contração cardíaca, discreta efusão pleural e miocárdio heterogêneo e hiperecóico. No ECG foi
encontrado taquicardia sinusal, bloqueio de ramo direito e taquicardia ventricular paroxística, então foi
administrado lidocaína. Pressão arterial sistêmica estava 50 mmHg, no que foi iniciado infusão contínua
de dobutamina até a normalização. Os biomarcadores cardíacos TnI e CK-MB estavam elevados. Com o
diagnóstico de miocardite traumática, o animal foi internado. No dia seguinte, a contusão pulmonar
havia melhorado. Quatro dia após, a paciente recebeu alta. Trinta dia após, havia normalizado as
alterações radiográficas e eletrocardiográficas, o eletrocardiograma ainda se encontrava com bloqueio
de ramo direito, porém com ritmo sinusal. Finalmente, os biomarcadores cardíacos estavam levemente
aumentados. Discussão: A intervenção imediata no caso, permitiu a estabilização do paciente e o
diagnóstico da contusão pulmonar pela radiografia torácica. Após o resultado do exame hematológico,
ECG e ECO, permitiu o diagnóstico do animal com miocardite traumática usando o Critério de Duke
Modificado. Estudos observaram que as arritmias ventriculares são as alterações eletrocardiográficas
mais comuns na miocardite, como foi observado nesse caso. O uso de corticosteroides não é
comprovado quanto à sua eficácia, porém nós tivemos respostas positivas com o caso. No controle da
hipotensão, dobutamina foi usado devido sua ação inotrópica positiva. O tratamento do hemotórax
deve ser focado na perda sanguínea e fluídos. Pesquisas mostram que o CK-MB e TnI canina estavam
altas em dois pacientes com trauma cardíaco. Ambos os biomarcadores estavam altos no nosso relato.
No retorno, os biomarcadores continuaram elevados, levando à suspeita que houve lesão cicatricial
miocárdica. A avaliação minuciosa do paciente é crucial para determinar cada passo de um atendimento
emergencial. A lesão miocárdica inicia uma série de eventos que podem levar à alterações de condução
elétrica e contração cardíaca, colocando o animal em risco de vida. Portanto, pacientes com histórico de
acidente automobilístico devem ser submetidos a um completo exame torácico, incluindo radiografia
torácica, eletrocardiograma, ecocardiograma para possíveis alterações miocárdicas. E se possível, a
dosagem de biomarcadores cardíacos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Aktas M., Auguste D, Lebre H.P., Toutain P.L. & Braun J.P. 1993. Creatine kinase in the dog: a review. Veterinary Research Communications. 17 (5): 353-369.

Azambuja S.A., Côrrea A., Guterres K.A., Silva C.C., Athayde C.L., Guim T.N., Aguiar E.S.V., Rodrigues F., Perera S.C., Milech V. & Bergmann L.K. 2013. Pneumotórax e miocardite traumática em um cão. Revista de Ciências Agroveterinárias. 12: 61-62. DOI: 10.1007/BF01839386. DOI: https://doi.org/10.1007/BF01839386

Boswood A. 2010. Laboratory tests. In: Fuentes V.L., Johnson L.R. & Dennis S. BSVA Manual of Canine and Feline Cardiorespiratory Medicine. 2nd edn. Gloucester: BSVA, pp.60-66. DOI: https://doi.org/10.22233/9781905319534.8

Boswood A. 2009. Biomarkers in cardiovascular disease: beyond natriuretic peptides. Journal of Veterinary Cardiology. 11: S23-S32. DOI:10.1016/j.jvc.2009.01.003 DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvc.2009.01.003

Cohn L.A. 2010. Pulmonary parenchymal disease. In: Ettinger S.J. (Ed). Textbook of Veterinary Internal Medicine. 7th edn. St. Louis: Elsevier Saunders, pp.1239-1265.

Diniz P.P.V.P., Schwartz D.S. & Collicchio-Zuanaze, R.C. 2007. Cardiac trauma confirmed by cardiac markers in dogs: two case reports. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. 59(1): 85-89. DOI: 10.1590/S0102-09352007000100015. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-09352007000100015

Ford R.B. & Mazzaferro E. 2012. Emergency Care. In: Mazzaferro E. & Ford R.B. (Eds). Kirk & Bistner’s Handbook of Veterinary Procedures and Emergency Treatment. 9th edn. St. Louis: Elsevier Saunders, pp.110-118. DOI: https://doi.org/10.1016/B978-1-4377-0798-4.00001-3

Janus I., Noszczyk-Nowak A., Nowak M., Cepiel A., Ciaputa R., Pasławska U., Dzięgiel P. & Jabłońska K. 2014. Myocarditis in dogs: etiology, clinical and histopathological features (11 cases: 2007–2013). Irish veterinary journal. 67 (1): 28. DOI: 10.1186/s13620-014-0028-8. DOI: https://doi.org/10.1186/s13620-014-0028-8

Lakhdhir S., Viall A., Alloway E., Keene B., Baumgartner K. & Ward J. 2020. Clinical presentation, cardiovascular findings, etiology, and outcome of myocarditis in dogs: 64 cases with presumptive ante mortem diagnosis (26 confirmed postmortem) and 137 cases with post mortem diagnosis only (2004-2017). Journal of Veterinary Cardiology. 30: 44-56. DOI: 10.1016/j.jvc.2020.05.003. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvc.2020.05.003

Romito G., Palatini L., Sabetti M.C. & Cipone M. 2024. Myocardial injury in dogs: a retrospective analysis on etiological, echocardiographic, electrocardiographic, therapeutic, and outcome findings in 102 cases. Journal of Veterinary Cardiology. 53: 36-51. DOI: 10.1016/j.jvc.2024.03.004. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvc.2024.03.004

Schober K.E., Kirbach B. & Oechtering G. 1999. Noninvasive assessment of myocardial cell injury in dogs with suspected cardiac contusion. Journal of veterinary cardiology. 1(2): 17-25. DOI: 10.1016/S1760-2734(06)70030-3. DOI: https://doi.org/10.1016/S1760-2734(06)70030-3

Schwartz D.S. & Melchert A. 2008. Terapêutica do Sistema Cardiovascular: Terapêutica do Sistema Cardiovascular em Pequenos Animais. In: Andrade S.F. (Ed). Manual de Terapêutica Veterinária. 3.ed. São Paulo: Roca, pp.314-339.

Snyder P.S., Cooke K.L., Murphy S.T., Shaw N.G., Lewis D.D. & Lanz O.I. 2001. Electrocardiographic findings in dogs with motor vehicle-related trauma. Journal of the American Animal Hospital Association. 37(1): 55-63. DOI: 10.5326/15473317-37-1-55. DOI: https://doi.org/10.5326/15473317-37-1-55

Ware W.A. 2015. Distúrbios do sistema cardiovascular. In: Nelson R.W. & Couto C.G. (Eds). Medicina Interna de Pequenos Animais. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, pp.140-144.

Arquivos adicionais

Publicado

2025-06-15

Como Citar

Eugênio Luz, P., Sayuri Medeiros Watanabe, J., Maingué, A. P., Sayuri Kono, I., Podleskis, M., Lúcia Scortecci Hilst, C., … Nelson Gava, F. (2025). Miocardite traumática em um cão por acidente automobilístico: relato de caso. Acta Scientiae Veterinariae, 53. https://doi.org/10.22456/1679-9216.142170

Edição

Seção

Case Report

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.