Oxigenioterapia Hiperbárica como Adjuvante no Tratamento de Tromboembolismo e Preparo para Implantação de Prótese Osteointegrada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.130296

Palavras-chave:

cirurgia, gato, implante, terapia, tromboembolismo.

Resumo

Background: Nos felinos, a neuromiopatia isquêmica é a doença que mais comumente leva à amputação. Na medicina veterinária, o uso de próteses em membros é pouco difundido, assim, na maioria dos casos, opta-se pela amputação total do membro quando há indicação. Entretanto, a oxigenioterapia hiperbárica (OHB) é uma alternativa com diversos benefícios para o tratamento de afecções vasculares que envolvam reperfusão, isquemia e infecção. Desse modo, o objetivo do estudo é reportar as vantagens proporcionadas pela OHB no tratamento da neuromiopatia isquêmica secundária ao tromboembolismo arterial, na melhora clínica e no preparo de um paciente que recebeu prótese osteointegrada.

Case: Uma felina de seis meses de idade, sem raça definida, retornou para atendimento após ser submetida, sete dias antes, à cirurgia de redução de hérnia diafragmática traumática, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento. A paciente apresentava-se com paralisia aguda dos membros pélvicos, com evolução de 24 horas, pulso femoral ausente, coxins plantares e parte dorsal dos membros frios e pálidos. Após terapia de suporte e diagnóstico de tromboembolismo aórtico definido através de doppler arterial, a paciente passou a receber tratamento adjuvante com OHB desde o primeiro dia de internação. As sessões ocorreram em câmara hiperbárica exclusiva para animais com duração de 60 minutos (min), a 2,5 atmosferas absolutas (ATA) de pressão e oxigênio à 100%, inicialmente, a cada 12 horas. Porém, a região distal de ambos os membros pélvicos começaram a apresentar desvitalização tecidual e edema nos primeiros cinco dias de internação assim como os parâmetros hematológicos apresentaram alterações ao sétimo dia de evolução. O membro pélvico direito (MPD) apresentou maior comprometimento dos tecidos superficiais, estendendo-se até a região da articulação tarsometatársica. Aos oito dias de internação, optou-se pelo desbridamento dos tecidos desvitalizados. No MPD evidenciou-se extensa área desvitalizada, com exposição óssea da região das falanges e necrose de região de coxim. O membro pélvico esquerdo (MPE) sofreu menores complicações, com acometimento de região das falanges. Seguindo evolução, após doze dias, agora com OHB a cada 48 horas, a paciente apresentou tecido de granulação exuberante. Aos dezessete dias a paciente recebeu alta médica e as sessões de OHB passaram a ser feitas semanalmente. O MPD evolui para gangrena da região metatársica e ausência de propriocepção, enquanto o MPE apresentou divulsão óssea da primeira, terceira e quarta falanges. Devido ao prognóstico desfavorável da viabilidade do membro, optou-se pela amputação parcial do MPD e aplicação de prótese intraóssea auto rosqueada.

Discussion: A parada cardiorrespiratória ocorrida durante o procedimento cirúrgico para redução de hérnia diafragmática, no qual a paciente foi submetida sem realização de tromboprofilaxia, pode ter contribuído para a isquemia periférica. Para o tratamento adjuvante da lesão isquêmica foi proposta OHB pois sabe-se que é especialmente indicada para casos de isquemia-reperfusão. Os principais parâmetros hematológicos foram avaliados com intervalo médio de sete dias. Foi possível observar que a contagem de plaquetas e o hematócrito apresentaram elevação e a leucocitose redução. Este conjunto de dados toram evidentes o benefício da oxigenioterapia ao paciente relatado. Quanto ao benefício no preparo para recebimento da prótese, sabe-se que a utilização de OHB em lesões ortopédicas resulta principalmente em estimulação de osteoblastos, auxiliando no processo de osteointegração. Conclui-se que o tratamento adjuvante de OHB auxiliou na preservação de grande segmento de ambos os membros pélvicos, evitando a progressão da necrose e proporcionando leito saudável para implantação da prótese osteointegrada no MPD, culminando com a melhora clínica da paciente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Edwards M.L. 2010. Hyperbaric oxygen therapy. Part 2: Application in disease. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care 20(3): 289-297. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1476-4431.2010.00535_1.x

Gunes A.E. & Aktas S. 2017. Effect of hyperbaric oxygen therapy on complete blood count. Undersea and Hyperbaric Medical Society. 44(4): 357-364. DOI: https://doi.org/10.22462/7.8.2017.8

Hassan M.H., Abu-Seida A.M., Torad F.A. & Hassan E.A. 2020. Feline aortic thromboembolism: Presentation, diagnosis, and treatment outcomes of 15 cats. Open Veterinary Journal. 10(3): 340-346. DOI: https://doi.org/10.4314/ovj.v10i3.13

Jarrell J.R., Farrell B.J., Kistenberg R.S., Dalton J.F., Pitkin M. & Prilutsky B.I. 2018. Kinetics of individual

limbs during level and slope walking with a unilateral transtibial bone-anchored prosthesis in the cat. Journal of Biomechanics. 76: 74-83. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jbiomech.2018.05.021

Kim J.H. & Park H.M. 2012. Unilateral femoral arterial thrombosis in a dog with malignant mammary gland tumor: clinical and thermographic findings, and successful treatment with local intra-arterial administration of streptokinase. The Journal of Veterinary Medical Science. 74(5): 657-661. DOI: https://doi.org/10.1292/jvms.11-0432

Lunsford K.V. & Mackin A.J. 2007. Thromboembolic therapies in dogs and cats: an evidence-based approach. The Veterinary Clinics of North America. Small Animal Practice. 37(3): 579-609. DOI: https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2007.01.010

Reinstein R.S., Santi E.M.T., Cartana C.B., Caye P., Vargas D., Fischborn N.T., Antunes B.N., Degregori E.B., Maieron Jr. A., Brun M.V., Monteiro S.G. & Muller D.C.M. 2022. A positive association of larval therapy and hyperbaric oxygen therapy in veterinary wound care. Parasitology International. 87(102517): 1-4. DOI: https://doi.org/10.1016/j.parint.2021.102517

Schulz K.S., Hayashi K. & Fossum T.W. 2019. Other Diseases of Bones and Joints. In: Fossum T.W. (Ed). Small Animal Surgery. 5th edn. Philadelphia: Elsevier, pp.1295-1313.

Silva A.C.D. 2018. Indicação de oxigenioterapia hiperbárica como auxiliar na cicatrização de úlceras de membro inferiores. Revista Médica de Minas Gerais. 28: 1-4.

Smith S.A. & Tobias A.H. 2004. Feline arterial thromboembolism: an update. The Veterinary Clinics of North America. Small Animal Practice. 34(5): 1245-1271. DOI: https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2004.05.006

Smith S.A., Tobias A.H., Jacob K.A., Fine D.M. & Grumbles P.L. 2003. Arterial thromboembolism in cats: acute crisis in 127 cases (1992-2001) and long-term management with low-dose aspirin in 24 cases. Journal of Veterinary Internal Medicine. 17(1): 73-83. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1939-1676.2003.tb01326.x

Val R.C., Silva R.C.O., Nunes T.A. & Souza T.K.P. 2003. O papel da oxigenoterapia hiperbárica na doença vascular periférica. Jornal Vascular Brasileiro. 2(3): 177-182.

Wu D., Malda J., Crawford R. & Xiao Y. 2007. Effects of hyperbaric oxygen on proliferation and differentiation of osteoblasts from human alveolar bone. Connective Tissue Research. 48(4): 206-213. DOI: https://doi.org/10.1080/03008200701458749

Yanagisawa H., Kanai E., Kayanuma H., Shida T. & Suganuma T. 2011. Hyperbaric air therapy in dogs for clinical veterinary medicine: a basic study. The Journal of Veterinary Medical Science. 73(10): 1351-1354. DOI: https://doi.org/10.1292/jvms.11-0022

Arquivos adicionais

Publicado

2023-03-27

Como Citar

da Silva Reinstein, R., Caye, P., Vargas, D., Nascimento Antunes, B., Bortolotto Degregori, E., Mallmann Pozzobon, F., … Curvello de Mendonça Müller, D. (2023). Oxigenioterapia Hiperbárica como Adjuvante no Tratamento de Tromboembolismo e Preparo para Implantação de Prótese Osteointegrada. Acta Scientiae Veterinariae, 51. https://doi.org/10.22456/1679-9216.130296

Edição

Seção

Case Report

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.