Descolonizações dos circuitos artísticos audiovisuais: experiências micropolíticas entre o projeto de alcance global “The Giant Step” e os índios Makuxi da Amazônia

Lisiane Machado Aguiar

Resumo


Neste artigo buscamos compreender como as intervenções artísticas de alcance global reterritorializam o desenvolvimento artístico nas comunidades indígenas ampliando a possibilidade de expansão de sua arte nos espaços culturais por meio de diferentes recursos audiovisuais. Para isso, acompanhamos a terceira edição da intervenção artística “The Giant Step” idealizada pelo artista Húngaro-Suíço Viliam Mauritz na comunidade indígena Raposa I, pertencente à terra indígena Raposa Serra do Sol/RR. A realização do “The Giant Step” na Amazônia foi uma proposta do idealizador ao conhecer o artista indígena Makuxi Jaider Esbell, como resultado do alcance do trabalho similar que Esbell desenvolve de arte-ativismo. A partir desse encontro, analisamos as diversas linhas de forças micropolíticas (Guattari e Rolnik, 2013), ou seja, como os modos de subjetivação dominante podem (ou não) serem subvertidos. Nesse caso, problematizamos como o uso do audiovisual em intervenções artísticas, na articulação com a cultura indígena, desterritorializa e descolonializa os circuitos da arte contemporânea por meio de suas formas de expor em relação com as distintas esferas das mídias digitais.


Palavras-chave


Intervenções artísticas; Indígenas Makuxi; Circuito de arte.

Texto completo:

306-322 PDF

Referências


CAUQUELIN, Anne. Arte Contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins, 2005.

COCCHIARALE, Fernando. A (outra) Arte Contemporânea Brasileira: intervenções urbanas micropolíticas. Revista do Programa de pós-graduação em artes visuais EBA, UFRJ, 2004.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995.

ESCOTEGUY, Ana Carolina. Circuito da cultura/circuito de comunicação: um protocolo analítico de integração da produção e recepção. Revista Comunicação, Mídia e Consumo. São Paulo. Vol. 4.Nov. 2007.

DOMINGUES, Diana (org.). A arte no século XXI: A humanização das tecnologias. São Paulo: UNESP, 1997.

GONÇALVES, Tainá Ribeiro (2017): Culturas e identidades em Roraima: um olhar para as representações pictóricas de artistas do curso de artes visuais/UFRR. Dissertação de mestrado em Letras. Roraima. UFRR, 2017.

GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 2013.

LEIRNER, Nelson. Exponha-se à arte. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1984.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidade del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto, en CASTRO-GÓMEZ S., GROSFOGUEL R. (eds). O giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá, Iesco-Pensar-Siglo del Hombre Editores, 2007.

MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidade y gramática de la descolonialidad. Buenos Aires: Edições del Signo, 2010.

SILVA, Eloenes Lima (2015): Intervenções artísticas em espaços públicos e pedagogias da cidade: possibilidade de pesquisa. 37ª Reunião Nacional da ANPEd, UFSC – Florianópolis, 2015.

SMITH, Linda Tuhiwai. A descolonizar las metodologías. Investigación y pueblos indígenas. Chile: Lom Ediciones, 2016.




DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.80335

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - NUPECS/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191