Chamada de artigos: Primeiro semestre de 2020 - Edição 52 da Revista Iluminuras

O mundo do trabalho tem conhecido transformações profundas em suas estruturas e práticas e as antropologias latino-americanas têm se destacado em refletir sobre o tema, retomando estudos clássicos e produzindo análises contemporâneas. O conhecimento antropológico sobre o trabalho tem enfrentado diversos desafios abordando a fragilidade das formas tradicionais de mobilização e organização e os projetos macroeconômicos dos Estados neoliberais latino-americanos, seja por meio da fragmentação das identidades e formas de organização dos mundos profissionais, seja pelos constantes ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários feitos pelos projetos estatais-neoliberais.    A crise das sociedades salariais, a robotização e os avanços tecnológicos, a precarização, terceirização e pauperização, a constância e complexidade dos mercados informais são apenas algumas das faces de observação das radicais transformações do que conhecemos como “trabalho” e de seu estatuto antropológico.

Nesse dossiê, buscaremos agregar reflexões antropológicas e de áreas afins, que tenham como objeto central o fenômeno do trabalho na América Latina, em sua pluralidade de expressões e particularidades nos contextos globais e locais. Em especial, refletimos sobre as articulações entre o global e o local, as experiências subjetivas e as transformações macro sociais, investindo em análises não-dicotômicas das relações de poder, atentando para as agências e resistências do cotidiano. Projetamos e incentivamos o envio de textos, relatos de campo, resenhas, ensaios fotográficos, entrevistas e outras abordagens antropológicas sobre o fenômeno do trabalho e organizamos eixos não restritivos de discussão, que enumeram temas que nos sãos caros e que consideramos basilares para a antropologia latino-americana do trabalho.

a)      Temporalidades: Refletir sobre as tessituras das memórias coletivas do trabalho, engajadas e cotidianas. Atentar para as diferentes gerações, os múltiplos envelhecimentos e os impactos na saúde e no corpo de trabalhadores e trabalhadoras, frente aos processos de descontinuidade e das transformações tecnológicas e informacionais.

 

b)      Gênero: Considerar os processos de produção social das feminilidades e masculinidades em seus aspectos subjetivos, corporificados e performatizados e, em que medida, podem estar associados a processos de alienação, exploração e disciplinamento das camadas trabalhadoras. Interrogar-se quais os regimes emocionais exigidos e agenciados em diversas situações de trabalho. Considerar as configurações familiares, suas narrativas e transformações, desde o impacto das modificações nas formas e na qualidade do trabalho.

 

c)      Políticas Públicas: Constantes na américa latina, os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a globalização do capital impõem dilemas à crítica social. Faz-se necessário pensar em conjunto sobre as informalidades, a emergência dos discursos de autonomia e empreendedorismo em diferentes escalas de renda, as reorganizações das subjetividades e dos modos de organização.

 

d)     Culturas Visuais: Considerar o trajeto do trabalho nas sociedades humanas também como uma experiência visual e sensorial. Aperceber-se do fenômeno do trabalho a partir de seu imaginário, calcado na consolidação da modernidade Ocidental. Nesse sentido, narrativas fílmicas, fotográficas, videográficas, literárias e artísticas podem auxiliar a metaforizar e ampliar as possibilidades dos estudos antropológicos do trabalho. Quais as particularidades da cultura visual e do imaginário do trabalho na américa latina?

 

e)      Tecnologias digitais: As tecnologias digitais e de comunicação impuseram formas novas da organização dos processos de trabalho, tais como o trabalho em equipe, “escritórios abertos”, jornadas ultra flexíveis, as hierarquias “suaves”, etc. Ao mesmo tempo, o trabalho como jogo, a criatividade, as novas concepções de meritocracia, interpelam os/as trabalhadores de outra maneira. As indústrias do capital cognitivo abrem um cenário amplamente polarizado no qual, por um lado, encontramos os/as trabalhadores/as qualificados que produzem bens informacionais e, por outro, um exército de trabalhadores/as “uberizados” contratados por meio das plataformas digitais.

 

f)       Perspectivas desde o Sul: Debater e compartilhar diferentes aportes e abordagens teórico-metodológicas no que diz respeito aos estudos antropológicos desenvolvidos no mundo do trabalho na América Latina,  problematizar os desafios e potencialidades do fazer etnográfico diante das particularidades e especificidades dos contextos latino-americanos, bem como articular as possíveis convergências, confluências e alinhamentos entre a pluralidade de abordagens que contribuem para processos de construção de uma Antropologia do Trabalho desde o Sul.

 

Organizadores:

Antônio Carriço (UFRJ),

Guillermo Gómez (UFRGS),

Hernán Palermo (CEIL-CONICET),

Manoel Rocha (UFRGS).


Diretrizes para Autores: Serão aceitos artigos de autores brasileiros ou estrangeiros, em português, espanhol, inglês, francês e em línguas indígenas, sendo a correção linguística de responsabilidade do autor. A seleção dos artigos toma como referência
sua contribuição à Antropologia Social e áreas afins e, à linha editorial da revista, a originalidade do tema ou do tratamento dado ao mesmo, a consistência e o rigor da abordagem teórico-metodológica.


Os artigos deverão ser formatados com base nas Diretrizes para Autores disponíveis em: http://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/about/submissions#authorGuidelines e submetidos em https://seer.ufrgs.br/iluminuras/about/submissions#onlineSubmissions, aĺém do encaminhamento à editoria, através do e-mail: iluminuras@ufrgs.br com cópia para 
Guillermo Gómez – guillermorosagomez@gmail.com e Manoel Rocha  – manoelcs@live.com


Importante: Neste número da revista é requerido que todas as submissões incluam o id ORCID (https://orcid.org) para cada um dos autores e coautores, tanto para os artigos como para as categorias de fluxo contínuo.


Data limite para envio de propostas: 30 de novembro de 2019