A Tebaida como refúgio espiritual e estético em Jacopo de Varazze, Gustave Flaubert e Joris-Karl Huysmans

Rodrigo de Oliveira Lemos

Resumo


A região desértica do Egito denominada Tebaida está associada, na história do cristianismo, à figura de Santo Antônio e, de maneira mais geral, à tradição do monasticismo e do eremitismo como via ascética de vivência de Deus. É esse o sentido da Tebaida em textos medievais como a Legenda Áurea, de Jacopo de Verrazze, na qual episódios da vida de Santo Antônio ganham uma dimensão de exemplaridade. Na literatura francesa da segunda metade do século XIX, esse espaço de refúgio ganha outros sentidos. São as significações da Tebaida próprias a essa literatura que investigaremos neste artigo, a partir de uma análise do espaço em La Tentation de Saint Antoine (1874), de Gustave Flaubert, e em À rebours (1884), de Joris-Karl Huysmans. Mostraremos como, nessas duas narrativas, a Tebaida surge como um espaço (ora referencial, ora metafórico) que evoca um versão moderna do eremitismo, em que o isolamento, sem despir-se totalmente do imaginário religioso, vai de par com uma experiência, em primeiro lugar, estética. Essa é vivida por um sujeito visionário que, desgostoso quanto à vida em sociedade e a exemplo de Santo Antônio, retira-se em um espaço fechado onde dá livre curso às visões interiores sugeridas por sua imaginação.


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DOI: https://doi.org/10.22456/2594-8962.104065

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