Decolonialidade e inglês como língua franca: diálogos com professores brasileiros

Mariana Lyra Varela de Albuquerque, Camila Haus

Resumo


As relações interculturais que caracterizam nossa realidade globalizada são permeadas pela colonialidade. No contexto do ensino de inglês, enxergamos o deslocamento de um paradigma de inglês como língua estrangeira para perspectivas mais críticas (como de inglês como língua franca (ILF) e translinguagem) como possível caminho para a decolonialidade. Assim, neste trabalho, entrevistamos professores a respeito de seus planejamentos, recursos e crenças sobre os investimentos dos alunos no aprendizado. Ao voltarmo-nos para esses discursos, buscamos refletir sobre a possível presença de elementos que indiquem uma perspectiva de ILF e translinguagem, considerando, por um lado, uma desobediência epistêmica (MIGNOLO, 2008) e, por outro, uma perpetuação do imperialismo linguístico característico da colonialidade. Por fim, destacamos a importância de uma formação inicial/continuada de professores que contribua para a autorreflexão e o questionamento.


Palavras-chave


Inglês como língua franca; práticas translíngues; decolonialidade.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDREOTTI, Vanessa; STEIN, Sharon; AHENAKEW, Cash; HUNT, Dallas. Mapping interpretations of decolonization in the context of higher education. Decolonization: Indigeneity, Education & Society, v. 4, n. 1, p. 21-40, 2015. Disponível em: http://representing-education.gertrude cotter.info/wp-content/uploads/2016/08/andreotti-stein-ahenakew-hunt-decolonization.pdf. Acesso em: 20 jul. 2019.

BORDIEU, Pierre. Language and symbolic power. Cambridge: Polity Press, 1991.

CANAGARAJAH, Suresh. Lingua Franca: English, Multilingual Communities, and Language Acquisition. The Modern Language Journal, v. 91, n. s1, p. 923-939, 2007.

CANAGARAJAH, Suresh. Translingual Practice: Global Englishes and Cosmopolitan Relations. NY: Routledge, 2013.

DINIZ DE FIGUEIREDO, Eduardo Henrique; MARTINEZ, Juliana. The Locus of Enunciation as a Way to Confront Epistemological Racism and Decolonize Scholarly Knowledge. Applied Linguistics, v. Adv A, p. 1-6, 2019.

DUBOC, Ana Paula M. Atitude Curricular: Letramentos Críticos nas Brechas da Formação de Professores de Inglês. 258 f. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

FRIEDRICH, Patricia. MATSUDA, Aya. When Five Words Are not Enough: A Conceptual and Terminological Discussion of English as a Lingua Franca. International Multilingual Research Journal, v.4, n. 1, p.20-30, 2010.

GARCÍA, Ofélia. WEI, Li. The Translanguaging Turn and Its Impact. In: GARCÍA, Ofélia. WEI, Li. Translanguaging: Language, Bilingualism and Education. Basingstoke: Palgrave Macmillan, p. 19-44, 2014.

GROSFOGUEL, Ramón. Racismo/sexismo epistémico, universidades occidentalizadas y los cuatro genocídios/epistemicidios del largo siglo XVI. Tabula Rasa, Bogotá, n. 19, p. 31-58, jul-dez, 2013.

HAUS, Camila. Inglês como Língua Franca e prática translíngue: uma perspectiva possível. Versalete, v. 7, n. 12, p. 51-71, 2019.

JENKINS, Jennifer. Repositioning English and multilingualism in English as a Lingua Franca. Englishes in Practice, v. 2, n. 3, p. 49-85, 2015.

JORDÃO, Clarissa Menezes. A língua inglesa como commodity: Direito ou obrigação de todos? Conhecimento local e conhecimento universal, v.3, n. 1, p. 272-295, 2004.

JORDÃO, Clarissa Menezes. A posição de professor de inglês no Brasil: hibridismo, identidade e agência. Letras & Letras, v. 26, n. 2, 21 mar. 2010.

JORDÃO, Clarissa Menezes; MARQUES, Anderson Nalevaiko. English as a lingua franca and critical literacy in teacher education: Shaking off some “good old” habits. In: GIMENEZ, Telma; KADRI, Michele Salles El; CALVO, Luciana Cabrini Simões. English as a Lingua Franca in Teacher Education - A Brazilian perspective. 1ed, De Gruyter Mouton, p. 53-68, 2018.

KUMARAVADIVELU, Bala. Dangerous liasion: Globalization, Empire and TESOL. In: EDGE, Julian. (Ed.). (Re)Locating TESOL in an age of empire. New York: Palgrave Macmillan, p. 1-26, 2009.

MAHER, Terezinha. Políticas linguísticas e políticas de identidade: currículo e representações de professores indígenas na Amazônia ocidental brasileira. Currículo sem Fronteiras, v. 10, n. 1, p. 33-48, jan./jun. 2010.

MAKONI, Sinfree; PENNYCOOK, Alastair. Disinventing and Reconstituting Languages. In: MAKONI, Sinfree; PENNYCOOK, Alastair (ed). Disinventing and Reconstituting Languages. Bristol: Multilingual Matters Ltd, p. 1-37, 2007.

MALDONALDO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del sur: contribuiciones al desarollo de un concepto. In CASTRO-GOMÉZ, Santiago, GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más alla del capitalismo global (compiladores). Bogotá: siglo del Hombre Editores, Universidad Central, Instituto de Ciencias Sociales Comtemporaneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, p. 127-168, 2007.

MALDONALDO-TORRES, Nelson. A topologia do Ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, Março 2008.

MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario T. Glocal Languages, coloniality and globalization from below. In:GUILHERME, Manuela; MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario T. Glocal Languages and Critical Intercultural Awareness – The South answers back. 1ed. NY: Routledge, p. 17-41, 2019.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção decolonial e o significado de identidades em política. Cadernos de Letras da UFF. Dossiê Literatura, língua e identidade, n. 34, p. 287-324, 2008.

MIGNOLO, Walter. Educación y decolonialidad: aprender a desaprender para poder re-aprender – Um diálogo geopolítico-pedagógico com Walter Mignolo. Revista del IICE. n. 35, p. 61-71, 2014. [Entrevista concedida a Facundo Giuliano e Daniel Berisso].

MOITA LOPES, Luiz Paulo da. Uma Linguística Aplicada mestiça e ideológica. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo da (Org.). Por uma Linguística Aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, p. 13-44, 2006.

MUFWENE, Salikoko. Globalization, Global English, and World English(es): Myths and Facts. In: COUPLAND, Nikolas. (ed). Handbook of Language and Globalization. New Jersey: Wiley-Blackwell, p. 31-55, 2010

NORTON, Bonny. Critical literacy and international development. Critical literacy: Theories and Practices, v. 1, n. 1, p. 6-15, 2007.

PALHARES, Ana Cristina de Moraes Hazin. Língua, cultura, educação e colonialidade: Reflexões sobre o ensino-aprendizagem de línguas em uma perspectiva pós-colonial. Interfaces de Saberes, v. 12, n. 1, 2011.

PENNYCOOK, Alastair. English and the discourses of colonialism, Londres: Routledge, 1998.

PENNYCOOK, Alastair. Translingual English. Australian review of applied linguistics, v. 31, n. 3, p. 30.1-30.9, 2008.

QUIJANO, Anibal. Coloniality of Power, Eurocentrism, and Latin America. Nepantla: Views from South, v. 1, n. 3, 2000.

SIQUEIRA, Sávio. Inglês como Língua Franca não é zona neutra, é zona transcultural de poder: Por uma descolonização de concepções, práticas e atitudes. Línguas e Letras, v. 19, n. 44, p. 93-112, 2018.

SOUSA SANTOS, Boaventura. Beyond abyssal thinking: from global lines to ecologies of knowledge. Review (Fernand Braudel Center), v. 30, n. 1, p. 45-89, 2007.

SOUSA SANTOS, Boaventura. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia dos saberes. In: SOUSA SANTOS, Boaventura, MENESES, Maria Paula. (Orgs.) Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, p. 31-83, 2010.

SOUSA SANTOS, Boaventura. A Universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade. 3ed. São Paulo: Cortez, 2011.




DOI: https://doi.org/10.22456/2236-6385.103202



Direitos autorais 2020 Mariana Lyra Varela de Albuquerque, Camila Haus

 

Indexadores: 

      

 

     

 

E-ISSN 2236-6385 (versão eletrônica)

 

Contato: cadernosdoil@ufrgs.br

 

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Programa de Pós-Graduação em Letras

Av. Bento Gonçalves, 9500 - Campus Vale

CEP 91501-970

Porto Alegre/RS, Brasil

 

Bolsista (vigência 2020):

Candice Batista de Fraga