A imagem historiográfica de Hugo de Cluny em Leão (séc. XI-XII)

Maria Filomena Pinto Da Costa Coelho

Resumo


A presença de Cluny na Península Ibérica adquiriu uma importância extraordinária entre os séculos XI e XII, na medida em que sua marca identitária transcendeu aquilo que hoje classificaríamos como domínio religioso, para alcançar o cerne da política. Especialmente no reino de Leão, o cenário cluniacense conta com atores políticos, cujos nomes são amplamente conhecidos e de grande envergadura. Embora em cada reinado a relação com Cluny se caracterize politicamente com nuances específicas, para a historiografia, é durante o governo de Alfonso VI que a presença cluniacense assume conotações políticas mais pronunciadas, por meio, principalmente do abade Hugo de Semur.  Para a historiografia em geral existem três momentos emblemáticos que evidenciariam a força política que o abade Hugo alcançou no reinado de Alfonso VI: a) o casamento do monarca com Constança da Borgonha, e das infantas Urraca e Teresa com Raimundo e Henrique da Borgonha; b) o pacto sucessório firmado por Raimundo e Henrique da Borgonha; c) o pagamento do censo a Cluny. Tentaremos, a seguir, apresentar algumas considerações que nos permitam delinear a problemática que do ponto de vista historiográfico configura as bases  que sustentam a síntese narrativa sobre esses três momentos, que foram transformados em fatos históricos.


Palavras-chave


Reino de Leão; Cluny; Alfonso VI; Redes aristocráticas medievais

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.88209

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul