A comemoração do 21 de Abril: o cenário do jogo político (1930-1960)

Thais Nivia de Lima e Fonseca

Resumo


Celebrações cívicas e estímulos aos sentimentos patrióticos são especialmente úteis e eficazes no jogo político, pois lidam com a história e com a memória, podendo estar no centro de lutas pelo poder. A festa cívica, também um lugar de memória, dedica-se, antes de tudo, à exaltação da nacionalidade, o que faz com que, na maioria das vezes, o seu principal objeto seja a comemoração de um episódio ou de um personagem visto como significativo na história da nação. Este artigo trata das festas de 21 de abril, dedicadas à memória da Inconfidência Mineira e de Tiradentes, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, entre 1930 e 1960, quando se tornaram instrumento de propaganda e mecanismo de legitimação, principalmente nos períodos dos governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek.

Palavras-chave


Festa cívica; Propaganda; Inconfidência Mineira

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.6381

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul