Criatividade e história, entre a ação e o discurso

Maria Luiza Martini

Resumo


O artigo parte de uma investigação das formas narrativas mais difundidas numa comunidade pouco letrada. O teatro, opção preferida pela comunidade onde se situou o estudo – Vila Pinto (Viamão/RS) – revelou-se tanto um instrumento comemorativo quanto uma forma de expor problemas. Assumimos então a hipótese de que o teatro épico poderia desenvolver potencialidades dessa forma narrativa enquanto escrita da história, por meio de uma parceria de texto e encenação, com um grupo de adolescentes, para contar a história do espaço público mais antigo da cidade, a Rua da Praia. O resultado é a construção de uma identidade transcendental, o grupo de teatro, que produz dois textos: o primeiro ficcional e o segundo, seu comentário historiográfico.

Palavras-chave


Fronteiras historiográficas; Teatro épico; Narrativas populares

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.6378

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul