Saúde e Fraternidade!: ecos e leituras da proclamação da República Portuguesa em terras africanas

Valdemir Zamparoni

Resumo


Este artigo pretende discutir os sentidos e implicações do termo Republica em Portugal e suas então colônias de Angola e Moçambique, assim como as expectativas em torno da proclamação da República Portuguesa em 1910. O artigo demonstra que as esperanças nutridas pelos nativos das terras coloniais se frustraram muito rapidamente. A propaganda oficial, formalmente republicana, foi suplantada pelo pragmatismo administrativo e os sucessivos governadores coloniais agiram no sentido de fortalecer e aprofundar o projeto imperial e suas políticas governativas gestadas no período da Monarquia. Eles tentaram expandir e assegurar sobretudo o controle direto sobre terras e gentes, causando expropriação, marginalização, racismo e exclusão social – práticas claramente opostas aos ditames republicanos os quais alegadamente eram defendidos por Portugal.


Palavras-chave


República; Colonialismo; Ideologia; Angola; Moçambique

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.45564

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul