Nunca foram heróis! A disputa pela imposição de significados em torno do emprego da violência na ditadura brasileira, por meio de uma leitura do Projeto ORVIL

Priscila Carlos Brandão, Isabel Cristina Leite

Resumo


Este texto aborda o processo de criação, execução e divulgação do Projeto ORVIL, a partir da perspectiva de um de seus principais executores: o então tenente-coronel “N2”. O projeto foi pensado ainda no início de 1984, e propunha a elaboração de uma “Escrita da História” que deslocasse o discurso que vinha sendo produzido pelos militantes de esquerda acerca da tortura no Brasil, principalmente a partir da Anistia, e divulgado por meio de entrevistas e de uma extensa bibliografia memorialística. Permeado pelo discurso relativo à memória e às disputas realizadas em torno de sua imposição, o texto analisa, a partir da perspectiva individual, como esta construção se traduziu em um cenário institucional. Procuramos a) compreender como um determinado grupo de militares, marcadamente ultra-conservadores, se concebiam no cenário do golpe militar e de implementação da repressão; b) perceber quais estratégias foram e ainda são utilizadas para contar e rememorar esse passado e, por fim; c) identificar quais fatores possuem capacidade de intervir nesta construção, tanto da perspectiva endógena, em termos de instituição, quanto exógena.


Palavras-chave


ORVIL; Serviços de informações; Tortura; Memória; Ditadura brasileira; Serviços secretos

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.28623