Movimento da Legalidade (1961): Resgatando o protagonismo de Mauro Borges

Tereza Cristina Pires Favaro

Resumo


O objetivo desta comunicação é resgatar o protagonismo do Governador Mauro Borges no Movimento da Legalidade. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, os ministros militares tentaram impedir a posse de João Goulart, o que desencadeou uma ampla mobilização, dentro e fora do Congresso, com vistas a assegurar a ordem Constitucional. Inicialmente, dois governadores - Mauro Borges (GO) e Leonel Brizola (RS) – insurgiram-se  contra o golpe e se colocaram, em seus estados, dispostos a resistir pacífica ou militarmente, se fosse o caso, até as últimas conseqüências, em defesa da Constituição. Isso leva a deflagrar o Movimento da Legalidade. A participação de Mauro Borges foi expressiva; com larga experiência em estratégias militares, elaborou um plano minucioso e tático, inclusive de logística, aventando a possibilidade de um confronto armado contra as forças golpistas. Face às pressões, como saída conciliatória instituiu-se o parlamentarismo, e João Goulart toma posse como presidente do Brasil (1961). No entanto, os desdobramentos políticos levam Mauro Borges a apoiar o golpe que levou a deposição de João Goulart do poder, em 1964.


Palavras-chave


Golpe; Militares; Resistência; Legalidade; Democracia

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.25398

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul