Do Fetichismo à Idade Positiva: apropriação territorial e política indígena no Rio Grande do Sul da Primeira República (1889-1925)

Marcio Both

Resumo


Os primeiros anos do século XX são marcados pela presença de uma preocupação por parte das autoridades governamentais do Brasil com respeito à questão indígena. Embora tal fato não fosse novidade, uma vez que acompanha o processo de conquista das terras brasileiras desde os primeiros contatos estabelecidos entre indígenas e europeus ainda no século XVI. No século XX, o problema ganha novos contornos e um dos principais exemplos disso é a criação, em 1910, de uma instituição federal responsável por tratar da questão indígena: o Serviço de Proteção ao Índio e Localização do Trabalhador Nacional (SPILTN). Juntamente com a implementação de políticas estatais voltadas a tutela dos indígenas, as áreas tradicionalmente habitadas pelas populações nativas, no caso do Rio Grande do Sul, são alvo de um intenso processo de povoamento. Assim, o interesse deste artigo é discutir a relação entre o gerenciamento da questão indígena levada a cabo por parte dos agentes governamentais e o processo de ocupação territorial que marcou a região de matas do estado durante o período da Primeira República.

Palavras-chave


Índios, História, Estado

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.24075