As culturas indígenas e a nação: negação ou valorização? A imagem do indígena construída pelo indigenismo mexicano pós-revolucionário na primeira metade do século XX.

Antonio Carlos Amador Gil

Resumo


Este artigo analisa o processo de consolidação da política indigenista no México pós-revolucionário, na primeira metade do século XX. Além de destacarmos a atuação e o pensamento de Manuel Gamio que teve um papel fundamental neste processo, demonstramos que a política indigenista mexicana, uma política direcionada aos indígenas mas dirigida por não índios, em seus primeiros momentos assumiu uma postura assimilacionista e de incorporação que foi contestada nos anos de 1920 e 1930. Neste período, surgiram vozes dissonantes que destacaram a positividade do elemento indígena para a formação da nação mexicana. O Partido Comunista Mexicano, por exemplo, defendeu nos anos de 1930 a teoria das nacionalidades oprimidas e a defesa da autonomia dos povos indígenas. O indigenismo governamental conseguiu, a partir do final do governo de Lázaro Cárdenas, minimizar a força destas vozes dissonantes e liderar uma postura integracionista que se tornou hegemônica a partir dos anos 40 com a consolidação da estrutura governamental indigenista.


Palavras-chave


Índios; Indigenismo; México; Século XX; Identidade Nacional.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.24056