A luta pela terra em território Kaingang: os conflitos na Terra Indígena Xapecó (SC/Brasil) ao longo do século XX

Carina Santos de Almeida, Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo


Os Kaingang representam, no Brasil, meridional o maior grupo indígenaem população. Sua territorialidade está alicerçada nos múltiplos processosque intervieram nos arranjos espaciais e dinamizaram as relações socioculturais,políticas e econômicas com outros povos indígenas e, sobretudo, com populaçõesnão indígenas. A redução da espacialização em território meridional alterou omodus vivendi e o habitus social, consequentemente interferiu na subsistência eautonomia dos Kaingang com o território e o ecossistema. Em 1902, um grupode Kaingang do sudoeste do Estado do Paraná (Brasil) conquistou uma gleba deterras de aproximadamente 50 mil hectares a partir de um decreto governamental,porém, ao longo do século XX, a Terra Indígena Xapecó, que atualmente pertence ao Estado de Santa Catarina, foi reduzida a pouco mais de 15 mil hectares. Oprocesso de expropriação da T.I. Xapecó, por não indígenas interessados nausurpação de terra e exploração dos recursos naturais, ocorreu em certa medidacom a chancela de funcionários do órgão indigenista do Serviço de Proteção aosÍndios e do governo catarinense. Assim, a luta pela terra ao longo do século XXentre atores sociais em condição política e socioeconômica desigual permitiumanter parte do território inicial (30%) onde vivem atualmente pouco mais decinco mil indígenas ameríndios.


Palavras-chave


Kaingang, território, terra e conflitos

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.24046

Anos 90 - Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul