A composição da Câmara dos Deputados de Ruanda em 2018: conquistas e dificuldades pela igualdade de gênero

Danilo Ferreira da Fonseca, Alexandra Lourenço

Resumo


O presente artigo está inserido no campo de estudos sobre a história recente de Ruanda e as suas elites políticas, principalmente acerca da participação das mulheres na câmara dos deputados. Ruanda tem ganhado destaque internacional devido a expressiva participação de mulheres no parlamento, em que 61,3% das cadeiras da câmara dos deputados são ocupadas por mulheres, a maior taxa em todo o mundo. Com o intuito de entender melhor esta participação de mulheres na câmara dos deputados, o conceito de gênero é essencial para explicar como algumas diferenças de reconhecimento social entre homens e mulheres tem reflexo no campo político, na medida que as relações generificadas são também construções históricas que se moldam a partir de diferentes contextos, culturas e tradições. Para aprofundar o debate, fazemos um robusto levantamento de dados acerca dos parlamentares ruandeses e ruandesas, de modo a conseguir analisar clivagens regionais, geracionais e políticas frente às relações generificadas da sociedade. Por fim, o conservadorismo e autoritarismo da atual política ruandesa nos possibilita pensar os limites de tal inclusão da mulher ruandesa, em que a violência e a sua submissão no campo privado parecem contrastar com os avanços quantitativos de cadeiras do legislativo.


Palavras-chave


Ruanda; Mulheres; Políticas eletivas

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DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.111730