A ideia de projeto político no movimento operário brasileiro durante a Primeira República (1889-1930)

Frederico Duarte Bartz

Resumo


Neste artigo serão analisados três movimentos que foram organizados pela classe trabalhadora brasileira em momentos diferentes da Primeira República: a formação da Liga Agrícola Industrial de Porto Alegre, fundada em 1889, na transição da monarquia para o regime republicano; o primeiro Partido Comunista do Brasil, criado a partir da Aliança Anarquista do Rio de Janeiro em 1919, no auge das mobilizações operárias do período e o Bloco Operário e Camponês, que existiu entre 1927 e 1930, em uma iniciativa que teve a participação decisiva dos militantes comunistas. O objetivo deste texto é recuperar o sentido destes movimentos utilizando o conceito de projeto político para compreender propostas de organização que pensaram uma nova conformação de poder, mas que não se constituíram de forma tradicional (como partidos) em seu modelo organizativo.


Palavras-chave


Projeto Político, Movimento Operário, Organização Operária, Mobilização Social, Primeira República Brasileira

Texto completo:

PDF

Referências


ADDOR, Carlos Augusto. A insurreição anarquista no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.

BANDEIRA, Luís Alberto Moniz, MELO, Clóvis e ANDRADE, Aristélio Travassos de. O Ano Vermelho: a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.

BARTZ, Frederico Duarte. Movimento Operário e Revolução Social no Brasil: ideias revolucionárias e projetos políticos dos trabalhadores organizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre entre 1917 e 1922. Porto Alegre: PPG em História da UFRGS, 2014 (tese de doutorado).

DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit. 1962.

GOMES, Ângela de Castro. A Invenção do Trabalhismo. (3 Edição). Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2005.

GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Vol. 3. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000.

HARDMAN, Francisco Foot. Nem pátria, nem patrão: vida operária e cultura anarquista no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1983.

KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao Parlamento: O Bloco Operário e Camponês do Brasil. (1924-1930). São Paulo: Alameda, 2006.

KAREPOVS, Dainis. A Coligação Operária de Santos quebrou a pasmaceira. História, São Paulo, v. 25, n. 1, 2006.

KONRAD, Diorge Alceno. O fantasma do medo: o Rio Grande do Sul, a repressão policial e os movimentos sócio-politicos (1930-1937). Campinas: PPG em História da UNICAMP, 2004. (Tese de Doutorado).

LONER, Beatriz. O projeto das ligas operárias do Rio Grande do Sul no início da República. Anos 90, Porto Alegre, v. 17, n. 31, p. 111-143, jul. 2010.

LOPREATO, Christina Roquette. O espírito de Revolta: a greve geral anarquista de 1917. São Paulo: Anablume, 2000.

MARAM, Sheldon Leslie. Anarquistas, imigrantes e o movimento operário brasileiro: 1890-1920. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

OLIVEIRA, Tiago Bernardon de. A Neutralidade Política no Sindicalismo Anarquista Brasileiro. QUEIRÓS, César Augusto Bubolz e ARAVANIS, Evangelia. Cultura Operária: trabalho e resistência. Brasília: Ex-Libris, 2010.

PACHECO, Ricardo de Aguiar. Representações e práticas acerca da cidadania republicana em Porto Alegre (1889-1891). Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2001.

PEIXOTO, Artur Duarte. Da Organização à Frente Única: A Repercussão da Ação Política do Partido Comunista do Brasil no Movimento Operário Gaúcho (1927 - 1930). Porto Alegre: PPG em História da UFRGS, 2006. (dissertação de mestrado).

PINHEIRO Paulo Sérgio de Moraes Sarmento. Estratégias da ilusão: a revolução mundial e o Brasil: 1922-1935. 2. ed. rev. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

RODRIGUES, Edgar. Nacionalismo e Cultura Social (1913-1922). Rio de Janeiro: Laemmert, 1972.

SILVA JR, Adhemar Lourenco. "Povo! Trabalhadores!”: tumultos e movimento operário (estudo centrado em Porto Alegre 1917). Porto Alegre: PPG em História da UFRGS, 1994. (dissertação de mestrado).

VELHO, Gilberto. Projeto e metamorfose: antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.




DOI: https://doi.org/10.22456/1983-201X.105086