Memorial do convento e os diálogos narrativo-dramáticos: a redenção por meio dos câmbios espaço-temporais

Ana Maria Cavalcante

Resumo


A discussão ora proposta visa observar e analisar, como causa e consequência estruturais que permitem uma revisão da narrativa histórica por meio da ficção, os diálogos entre narrativa e drama que são estabelecidos em Memorial do convento. Pretende-se, assim, discutir como José Saramago realiza uma provocação à historiografia e uma tentativa de livrar do esquecimento os homens simples de Portugal, verdadeiros responsáveis pela construção do monumento histórico. Para isso, serão observadas, principalmente, a associação peculiar entre o narrador e as suas personagens, beneficiada pelo próprio estilo do autor, que propõe uma mimetização da linguagem oral pela escrita, e as relações entre o narrador e a matéria narrativa, quando aquele assume uma postura pouco contemplativa diante do relato, promovendo associações invulgares entre o tempo e o espaço e entre a narrativa e o drama. Com uma estrutura cambiante, Memorial do convento promove, por meio da presentificação dos fatos, uma revisão crítica da narrativa histórica, estando esta, a priori e ironicamente, destituída da sua condição de oficial e, logo, passível a interpretações.

Palavras-chave


Memorial do convento; Drama; Narrativa; Literatura; História.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.65249

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul