“O lugar onde vivo”: das narrativas orais indígenas à prática de leitura e de escrita

Carmem Véra Nunes Spotti, Ana Aparecida Vieira de Moura, Genilza Silva Cunha, Comissão Editorial Nau Literária

Resumo


O presente artigo versa sobre a memória, a oralidade e as narrativas como estratégia do trabalho pedagógico realizado por professores nas escolas de educação básica das comunidades indígenas roraimenses, tendo a narrativa oral indígena como foco do curso de formação continuada “O Processo Interacional nas Aulas de Língua Materna: Texto em Contexto” realizado pelo Centro de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima – CEFORR. O curso é uma ação conjunta com o “Projeto Pontes”, do grupo de pesquisa coordenado pela Profª. Drª. Stella Maris Bortoni-Ricardo, da UnB, que tem como objetivo instrumentalizar professores em atividades de sala de aula no que concerne o desenvolvimento da leitura, o exercício da oralidade e da produção textual, com vistas a reconhecer a pluralidade linguística e cultural para o trabalho levando em conta as práticas tradicionais como lendas, contos populares, memória. O Estado de Roraima tem presença marcante da cultura indígena em sua formação social e populacional. Neste contexto, observa-se a ocorrência de conflitos por demarcação de terras indígenas, gerando o preconceito etnolinguístico e socioeconômico e a desvalorização da cultura dos povos indígenas, quer seja na língua, na sua história ou em suas tradições; e, por outro lado, uma forte organização política e a existência de práticas que visem à preservação da memória das comunidades, veiculados através da tradição oral, que tem nas narrativas um dos elementos produtores de identidades, em uma perspectiva dos estudos literários e com interface aos estudos sociolinguísticos no que se refere à teoria dos continua. Na utilização tal teoria para a pesquisa do português brasileiro, exploram-se, diferentes categorias da variação sociolinguística: diatópica, diastrática, diamésica, diafásica e diacrônica, conforme o objeto de investigação. Aqui, exploramos a diamésica no sentido de partir da oralidade à escrita, no registro das histórias orais e tradicionais vividas pelos povos indígenas. Tendo como abordagem metodológica a etnografia colaborativa dos estudos linguísticos, adotou-se, para recolha e geração de dados, a história oral e o registro com a formação de um portfolio com textos de diversos gêneros textuais produzidos pelos alunos, sob a coordenação dos professores cursistas e com a orientação da tutora do curso. Espera-se com isso construir com os professores um conjunto de registros de suas práticas orais de modo a servir de repertório para a produção de saberes das práticas culturais para usufruto nas práticas escolares.

Palavras-chave


sociolinguística ; leitura; produção textual; memória oral; comunidades indígenas

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.43416

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul