Leitura(s) de O gato e o escuro, de Mia Couto

Flavio García de Almeida, Luciana Morais da Silva

Resumo


O escritor moçambicano Mia Couto convida seu leitor a adentrar novas e outras sendas, transportando-se por (re)invenções da linguagem, segundo ele, mais suas, portanto, singulares. Ao produzir veredas imagéticas e caminhar por essa língua mais sua, marcada culturalmente, Mia revela um pouco de si e, também, do Outro, que está fora e dentro, compondo-o. Ao fazer isso, torna, por exemplo, perceptíveis os sentidos reticentes na escritura de O gato e o escuro, narrativa apresentada na edição brasileira como infantil, na qualum jovem gatinho,à semelhança do próprio Mia, revela sua curiosidade de caminhar pelo “outro lado”, tocando os muros que se interpõem entre o seu Eu e o (seu)Outro. O Escuro, personificado, lamenta sua condição, aparentemente invejada pelo Pintalgatinho curioso.Mas, com possibilidades mescladas e espaços de troca e hibridismo, os mundos de “lá” e “cá” se completam, do mesmo modo que as estruturas e vivências do mundo empírico e, por que não, do metaempírico, de que se nutre o artista moçambicano.Tal se pode contemplar em seus textos de opinião, em que permite se leiam ancestralidades vivenciadas pelo sonho, imaginação, bem ao gosto do Pintalgato.

Palavras-chave


Literatura Infantil Moçambicana; Narrativa Moçambicana; Ficção Autobiográfica; O gato e o escuro; Mia Couto

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.38948

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul