Diferentes origens, distintas (re)visões

Letícia Valandro

Resumo


Resumo: O presente trabalho parte da idéia de que as narrativas constituem um relevante e singular meio de análise e revisão histórica. Como característica da contemporaneidade, revisitar o passado com olhar crítico e analítico ajuda a compreender o presente. Essa revisão mostra-se ainda mais importante quando se volta para um acontecimento de grande violência e desumanidade, como o colonialismo das nações européias na África e, aqui, mais especificamente àquele relacionado às práticas portuguesas. Assim, o presente estudo volta-se para o colonialismo luso através da análise de duas narrativas de retomada histórica do período: Equador, do escritor português Miguel de Sousa Tavares e A Última Tragédia, do guineense Abdulai Sila. O que se percebe por meio dessas é que, tanto as ações e visões, quanto as revisões são fortemente determinadas pelo lugar de onde a voz se origina, ainda que, à primeira vista, essa leitura não seja tão límpida. Nesse sentido, Equador apresenta, acima de tudo, a (re)visão de um português acerca do processo de colonização luso na África. Logo, a ideologia que norteou as ações colonialistas portuguesas, amparada na suposta superioridade racial do branco, no seu dever civilizatório e em uma exploração violenta, orientada para o lucro, faz-se presente, mesmo que pareça sofrer críticas. Em contrapartida, A Última Tragédia (re)conta a História a partir da óptica do colonizado, sob uma crença humanitária e de igualdade racial legítima e verdadeira, cujo norte é a construção de um futuro melhor, mais justo e mais digno para essa recente nação.

Palavras-chave


Narrativa; História; Colonialismo; Portugal; África

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.11146

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul