Entre o narrador e matéria narrativa: notas de leitura de "O cortiço"

Antônio Marcos Vieira Sanseverino

Resumo


Antonio Candido identifica em O Cortiço, de Aluísio Azevedo, um descompasso entre a narração e a intriga. O narrador seria um homem branco, livre, brasileiro que olharia com desprezo para negros e portugueses. Ao preconceito, alia-se o ponto de vista aderente à moda científica de fins do século XIX. Neste artigo, defendemos que a história do cortiço, em Botafogo, Rio de Janeiro, apresenta tensões sociais que escapam ao modelo explicativo do narrador. A partir daí, é feita a análise de três aspectos da obra. Em primeiro lugar, é detalhada a leitura desse narrador. A seguir, é feita a análise do protagonista, João Romão, que ascende socialmente através da exploração do cortiço. Na terceira seção, é destacada a transformação por que passam Jerônimo e Pombinha. Por fim, a linha geral da leitura trabalha com a oposição dialética entre a exploração capitalista de Romão e os moradores do cortiço, que se orientam por costumes e valores pré-capitalistas.

Palavras-chave


"O cortiço"; Aluísio Azevedo; dinheiro; avareza; cultura popular

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.102609

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul